As eleições presidenciais do Peru permanecem em um estado de intensa indefinição e suspense, estendendo-se por um quarto dia de apuração. Em uma reviravolta significativa nesta quinta-feira (11), a candidata conservadora Keiko Fujimori reassumiu a liderança na contagem dos votos do segundo turno. A disputa é voto a voto contra o deputado de esquerda Roberto Sánchez, com a nação andina observando uma das mais apertadas corridas eleitorais de sua história recente.
A Disputa Voto a Voto: Keiko Fujimori Retoma a Ponta
Após um período em que Roberto Sánchez esteve à frente, Keiko Fujimori, da Força Popular, inverteu o placar, registrando 50,002% dos votos válidos contra 49,998% de Sánchez, do Juntos pelo Peru. A diferença entre os dois candidatos, que em momentos anteriores chegou a cerca de 20 mil votos e depois caiu para pouco mais de 4 mil, é agora mínima, refletindo a polarização do eleitorado peruano. A mudança na dianteira foi impulsionada pela apuração das urnas do exterior, onde Fujimori demonstrou forte preferência, angariando 63% dos votos contra 37% de seu oponente. Até o momento, 83% das urnas no estrangeiro foram contabilizadas, enquanto 98,20% dos votos nacionais já estão apurados, com a votação tendo ocorrido no último domingo, 7 de junho.
Montanha-Russa da Contagem: Uma Linha do Tempo de Reviravoltas
O processo de apuração tem sido uma verdadeira saga de reviravoltas desde o início. Os primeiros dados oficiais, divulgados na noite de domingo pelo órgão eleitoral peruano, indicavam Keiko Fujimori com uma vantagem inicial de cinco pontos percentuais. Contudo, essa margem começou a diminuir rapidamente à medida que a apuração progredia. Já na manhã de segunda-feira, a diferença era de menos de um ponto, e no início da tarde do mesmo dia, Roberto Sánchez ultrapassou Fujimori, mantendo-se à frente por um período considerável, até a recente virada favorável à candidata conservadora. A autoridade eleitoral já havia alertado que a divulgação do resultado final poderia levar dias, um cenário que se concretizou devido à metodologia de cédulas de papel e à extrema proximidade dos resultados.
Os Protagonistas da Disputa: Perfis de Keiko Fujimori e Roberto Sánchez
Os dois candidatos que polarizam o Peru representam vertentes políticas distintas. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, é a líder da corrente fujimorista e concorre pelo partido Força Popular, que ela fundou em 2008. Esta é sua quarta tentativa de alcançar a presidência, tendo sido derrotada no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. No primeiro turno, obteve 17,2% dos votos válidos. Por outro lado, Roberto Sánchez, deputado do Juntos pelo Peru, representa a esquerda e surpreendeu ao chegar ao segundo turno com 12% dos votos no primeiro turno. Sua base de apoio é predominantemente encontrada em áreas rurais e regiões afastadas dos grandes centros urbanos, um fator crucial na lenta e disputada contagem atual.
Cenário Político Peruano: Crise Institucional e Desconfiança Crônica
A eleição de 2026 ocorre em um contexto de profunda crise política e institucional no Peru. O país registrou um número recorde de 35 candidatos à presidência no primeiro turno, refletindo a fragmentação e insatisfação. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, um contraste gritante com os mandatos constitucionais de cinco anos, evidenciando uma instabilidade crônica. Pesquisas de opinião revelam que cerca de 90% dos peruanos manifestam pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional. Além disso, apenas 10% da população afirma estar satisfeita com a democracia no país, o que especialistas classificam como uma 'desconfiança crônica' que permeia o cenário político e social, tornando esta eleição ainda mais crucial e complexa.
Com 27,33 milhões de eleitores aptos a votar e um sistema de cédulas de papel, a lentidão na divulgação dos resultados reflete não apenas a complexidade logística, mas também a incerteza que paira sobre o futuro político do Peru. A contagem final, quando concluída, determinará quem irá liderar uma nação dividida e em busca de estabilidade.
Fonte: https://g1.globo.com