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Caso Henry Borel: Julgamento Quebra Recorde no Rio e Se Aproxima do Veredito

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O julgamento sobre a morte do menino Henry Borel, que chocou o país em março de 2021, alcançou nesta segunda-feira (1º) seu oitavo dia consecutivo de sessões no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Com essa marca, o processo se tornou o mais longo da história do Tribunal do Júri no estado, superando a duração do caso que resultou na condenação da ex-deputada federal Flordelis pelo assassinato de seu ex-marido, pastor Anderson do Carmo, em novembro de 2022.

A prolongada duração reflete a complexidade e a intensa disputa jurídica em torno da morte da criança de apenas quatro anos. A sociedade acompanha com grande expectativa os desdobramentos de um caso que expôs graves questões sobre violência infantil e omissão, envolvendo figuras públicas.

Os Réus e a Acusação Central

No banco dos réus estão o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, padrasto de Henry, e Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino. A acusação do Ministério Público sustenta que Henry morreu em consequência de agressões perpetradas por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido diante dos fatos, contribuindo para o desfecho trágico. Na época do ocorrido, Jairinho exercia seu quinto mandato como vereador.

Depoimento Crucial da Perícia Técnica

Um dos momentos mais esperados foi o depoimento do perito Leonardo Huber Tauil, indicado pela defesa de Jairinho, responsável pelo laudo cadavérico inicial de Henry no Instituto Médico Legal (IML). Em seu testemunho, o 21º a ser ouvido, Tauil reafirmou que a causa da morte foi uma “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”. Ele participou de seis complementações ao laudo e esteve no apartamento onde o menino teria sido agredido.

Ainda durante a oitiva, o perito sustentou que, ao vistoriar o local, não encontrou nenhum móvel que pudesse ter causado a lesão fatal, rebatendo a versão inicial do casal de que Henry teria tropeçado e caído da cama. Tauil também abordou questões levantadas pela defesa sobre o laudo, como o registro incorreto do hospital de origem do corpo e a cor dos olhos do menino, classificando-os como lapsos. Durante a exibição de imagens do corpo de Henry, Monique Medeiros chegou a deixar o plenário, repetindo um gesto da última sexta-feira (29) quando outro perito, Luiz Carlos Leal Prestes, depunha sob circunstâncias similares.

Testemunhos Chave e Seus Impactos

Desde o início, em 25 de abril, o júri ouviu testemunhas arroladas pelo juízo, acusação e pelas defesas de Monique e Jairinho. O pai de Henry, Leniel Borel, que atua como assistente da acusação, depôs contra o ex-casal, expressando sua convicção na responsabilidade de Monique. O processo também incluiu depoimentos de duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas, que relataram agressões do ex-vereador aos seus próprios filhos na infância.

Por outro lado, Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique, descreveu a irmã de forma afetuosa e o bom convívio familiar. Um dos depoimentos mais aguardados foi o da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, que confirmou ter alertado Monique sobre suspeitas de agressões por parte de Jairinho. Ela também afirmou ter sido orientada pela mãe da criança a apagar trocas de mensagens entre as duas após a morte de Henry. Das 27 testemunhas inicialmente arroladas, quatro foram liberadas, incluindo o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e a assessora Cristiane Izidoro, dispensados por Jairinho. Seu pai, Coronel Jairo, foi ouvido.

Próximos Passos e a Expectativa pela Sentença

A expectativa dos advogados envolvidos é que a fase de depoimentos das testemunhas seja concluída ainda nesta segunda-feira, abrindo caminho para os depoimentos dos dois acusados na terça-feira (2). A defesa de Jairinho obteve uma liminar para que o ex-vereador preste seu depoimento após Monique, argumentando que a ordem é “indispensável para garantir a plenitude de defesa”, permitindo-lhe ter conhecimento prévio das acusações. A defesa de Monique, por sua vez, afirma que ela está preparada para depor a qualquer momento.

Apresentações das defesas estão previstas para a quarta-feira (3), e a sentença é aguardada entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro. Além de Tauil, ainda será ouvido o médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa.

O Rigor do Conselho de Sentença

Desde o início do júri, o Conselho de Sentença, composto por sete jurados (cinco homens e duas mulheres neste julgamento), acompanha as sessões de forma ininterrupta e sob regime de isolamento. Durante os intervalos, eles permanecem no tribunal, proibidos de conversar entre si ou com terceiros sobre o caso, e afastados de redes sociais e noticiários. Esse rigor visa assegurar a imparcialidade e a objetividade na tomada de decisão que definirá o futuro dos réus e fará justiça à memória de Henry Borel.

A sociedade aguarda, com a respiração suspensa, o desfecho deste caso emblemático que desafia o sistema judiciário e reacende o debate sobre a proteção de crianças em ambientes familiares.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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