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Paraguai Desativa Painéis na Fronteira Após Montagem Polêmica de Bolsonaro e Reforça Fiscalização

G1

Três telões em Cidade do Leste, cidade paraguaia na fronteira com o Brasil, foram desativados neste sábado (30) após a exibição de uma montagem controversa envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A imagem, que gerou grande repercussão e indignação, levou o governo paraguaio a agir rapidamente, culminando não apenas na retirada dos painéis em questão, mas também em um anúncio mais amplo do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) sobre a remoção de estruturas publicitárias irregulares às margens das rodovias do país. O incidente acendeu um alerta para a fiscalização de mídias externas e a segurança de sistemas digitais em espaços públicos.

A Montagem Controversa e a Reação Pública

A polêmica teve início na sexta-feira, quando uma montagem digital foi veiculada por cerca de uma hora em pelo menos três painéis na Cidade do Leste. As imagens mostravam o ex-presidente Jair Bolsonaro em poses de provocação política e futebolística contra o Paraguai, incluindo uma cena em que ele aparecia agredindo o jogador paraguaio Gustavo Gómez, com a legenda irônica "o Hexa é nosso" e a afirmação de que "o Brasil mandou e desmandou no campo e na política". A veiculação provocou revolta entre os moradores locais, resultando na destruição física de um dos telões por populares, enquanto equipes policiais intervieram para conter a confusão e garantir a segurança na área.

Resposta Oficial: Ordem Presidencial e Fiscalização de Infraestruturas

A gravidade do episódio levou o presidente do Paraguai, Santiago Peña, a se manifestar publicamente nas redes sociais, afirmando ter determinado a imediata retirada dos telões envolvidos na exibição da imagem. Em uma ação que transcendeu o incidente específico, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) utilizou o caso como catalisador para anunciar uma ofensiva contra painéis publicitários considerados irregulares. O MOPC esclareceu, em comunicado oficial, que não autoriza a instalação de cartazes ou painéis na faixa de domínio das rodovias, área sob responsabilidade estatal, invocando a Lei nº 5.016/2014. Esta legislação proíbe estruturas que possam comprometer a visibilidade dos motoristas ou apresentar risco à segurança viária, reforçando a postura do governo de retirar imediatamente instalações que não cumpram a lei, apesar de reconhecer que, em certos casos, decisões judiciais podem atrasar a execução das medidas.

Alegações de Ataque Cibernético e Investigações em Andamento

As empresas responsáveis pelos telões, Fast Print e Publimix, emitiram notas alegando que seus sistemas foram alvo de uma invasão hacker. Segundo elas, o conteúdo foi divulgado por meio de "manipulação não autorizada" das telas publicitárias. Ambas as empresas afirmaram estar colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos, identificar os autores da invasão e determinar as responsabilidades, tendo formalizado uma denúncia criminal junto à Promotoria de Crimes Cibernéticos do Paraguai. Uma terceira empresa, a New Zone, também mencionada no contexto, negou qualquer participação na divulgação do conteúdo, solicitando esclarecimentos imediatos à empresa responsável pelos anúncios. Paralelamente, a prefeitura de Cidade do Leste iniciou uma investigação administrativa para apurar o caso e identificar os responsáveis, formalizando também uma denúncia na Fiscalía, órgão correspondente ao Ministério Público no Brasil. Até o momento, a autoria da montagem e a identidade dos invasores permanecem desconhecidas, e as empresas não se pronunciaram sobre as circunstâncias da desativação específica dos painéis.

O incidente na fronteira do Paraguai com o Brasil demonstra a complexidade dos desafios contemporâneos envolvendo a gestão de espaços públicos, a segurança cibernética e a sensibilidade política. A rápida resposta das autoridades paraguaias reflete o compromisso em manter a ordem e a segurança, não apenas nas vias públicas, mas também na esfera da informação veiculada. O caso sublinha a importância de uma fiscalização rigorosa das infraestruturas de publicidade e a necessidade de fortalecer a proteção contra ataques cibernéticos, cujas consequências podem gerar crises diplomáticas e instabilidade social.

Fonte: https://g1.globo.com

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