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Narges Mohammadi, Nobel da Paz, Deixa o Hospital e Retorna para Casa sob Pressão Internacional

G1

A ativista iraniana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, recebeu alta hospitalar e pôde retornar para sua casa nesta segunda-feira (18), conforme comunicado pela fundação administrada por sua família. A notícia representa um alívio temporário para a defensora dos direitos humanos de 53 anos, que enfrenta uma longa sentença de prisão no Irã e cuja saúde se deteriorou drasticamente nas últimas semanas, gerando uma onda de preocupação e apelos globais.

O Retorno e a Condição de Sua Liberdade Provisória

Mohammadi estava internada há semanas, após o regime iraniano autorizar sua transferência para um hospital em decorrência de graves problemas cardíacos. A autorização para sua hospitalização e, posteriormente, para seu retorno ao lar, veio depois de intensos apelos de seus familiares e pressão internacional, incluindo um pronunciamento do Instituto do Prêmio Nobel. Sua saída da prisão para tratamento médico foi concedida sob liberdade condicional e fiança, uma medida que visava garantir sua recuperação em um ambiente adequado. Uma comissão médica designada pelo próprio regime iraniano recomendou seu tratamento fora do cárcere, devido à complexidade de suas múltiplas enfermidades.

A Luta Pela Saúde: Um Histórico de Deterioração

A saúde de Narges Mohammadi tem sido uma preocupação constante, agravada por mais de duas décadas passadas em prisões iranianas. Na semana anterior à sua alta, sua condição se deteriorou criticamente. Relatos de sua fundação indicaram uma grave progressão da doença cardíaca e comprometimento do sistema nervoso. Ela foi submetida a um exame angiográfico de emergência, que revelou uma deterioração significativa da doença vascular e danos em uma parte do sistema nervoso central, responsável pela regulação da pressão arterial.

Durante seu encarceramento, especialmente na prisão de Zanjan, onde estava desde dezembro, Mohammadi já havia sofrido um infarto, perdido a consciência por duas vezes e desenvolvido um coágulo sanguíneo no pulmão. Além disso, parentes relatam que ela foi vítima de espancamentos no presídio. Nos últimos dias de sua hospitalização, sua pressão arterial oscilou drasticamente, e ela necessitava de oxigênio para respirar, estando impossibilitada de falar, segundo seu irmão. O Comitê do Nobel havia alertado publicamente que, sem tratamento adequado em Teerã, a vida de Mohammadi permaneceria em risco.

Uma Voz Inabalável pela Liberdade e Direitos Humanos

Engenheira e mãe de gêmeos, Narges Mohammadi é uma das mais proeminentes defensoras dos direitos das mulheres e da abolição da pena de morte no Irã, país com uma das maiores taxas de execuções no mundo. Sua incansável militância lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023, um reconhecimento global à sua coragem mesmo enquanto detida. Ela já foi presa seis vezes ao longo de 22 anos, e atualmente cumpre uma sentença de 10 anos e 9 meses, imposta em janeiro de 2022, sob a acusação de 'espalhar propaganda contra o governo' na prisão de Evin, conhecida por abrigar críticos do regime.

A ativista é vice-diretora do Centro de Defensores dos Direitos Humanos do Irã, uma organização não governamental liderada por Shirin Ebadi, também laureada com o Nobel da Paz em 2003. Mohammadi se tornou um dos rostos mais visíveis da chamada 'revolução feminina' iraniana, uma onda de protestos massivos desencadeada pela morte de Mahsa Amini em setembro de 2022, após ter sido detida pela polícia da moralidade por supostamente violar as rigorosas regras de vestimenta.

O Futuro Incerto e o Apelo por Liberdade Plena

Apesar do alívio de estar em casa, a situação de Narges Mohammadi permanece precária e incerta. Ela ainda possui 18 anos de sua sentença original a cumprir, e a ameaça de retorno à prisão paira sobre sua cabeça. Sua fundação e familiares têm reiterado o apelo por sua liberdade incondicional e pela retirada de todas as acusações, argumentando que ela jamais deveria voltar à prisão para cumprir o restante de sua pena. A luta por seus direitos e a garantia de sua segurança física e liberdade continuam sendo um ponto focal para a comunidade internacional, que acompanha de perto cada desenvolvimento em sua jornada.

Fonte: https://g1.globo.com

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