Uma complexa e abrangente operação internacional de resgate está em pleno andamento para evacuar centenas de passageiros e parte da tripulação do cruzeiro MV Hondius, que foi afetado por um surto de hantavírus. A embarcação é aguardada no Porto de Granadilla, na ilha de Tenerife, Espanha, na madrugada deste domingo. Diante da emergência sanitária, uma coalizão de países, juntamente com a União Europeia e a Organização Mundial da Saúde, coordena esforços para garantir o desembarque seguro e o transporte aéreo dos cidadãos envolvidos.
Mobilização Internacional e Logística Detalhada do Resgate
A Espanha, atuando como ponto central da operação de desembarque, confirmou que Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda enviarão aviões para resgatar seus nacionais. Paralelamente, os Estados Unidos providenciarão aeronaves para os passageiros americanos, e a União Europeia destinará duas aeronaves adicionais para os demais cidadãos europeus. Em um movimento de cooperação global, os EUA e o Reino Unido também oferecerão suporte aéreo e planos de contingência para nações fora da UE que não puderem organizar o transporte de seus cidadãos.
A chegada do MV Hondius a Tenerife está programada para ocorrer entre 3h e 5h da manhã de domingo, horário local (0h e 2h no horário de Brasília), conforme anunciado pelo ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, e pela ministra da Saúde, Mônica Garcia. A estratégia de desembarque priorizará os cidadãos espanhóis, seguidos pelos demais grupos, cuja ordem será determinada pelas autoridades sanitárias em função da disponibilidade das aeronaves de evacuação de seus respectivos países. A operação de evacuação está prevista para se estender do meio-dia de domingo (9h em Brasília) até a tarde de segunda-feira.
Todos os passageiros e 17 membros da tripulação serão desembarcados em Tenerife. No entanto, 30 tripulantes permanecerão a bordo do navio, que seguirá viagem para a Holanda, onde será submetido a um processo de desinfecção completo.
Protocolos Sanitários e Acompanhamento da OMS
A segurança sanitária é uma prioridade. Todos os passageiros serão instruídos a usar máscaras para minimizar o risco de contágio. A ministra da Saúde espanhola, Mônica Garcia, assegurou que o risco para a população em geral permanece baixo. Apenas pertences essenciais serão permitidos aos passageiros no momento do desembarque; a bagagem restante, bem como os corpos das pessoas que faleceram a bordo, permanecerão no MV Hondius para serem transportados à Holanda para desinfecção e procedimentos adequados.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebrey, chegou à Espanha para supervisionar de perto a operação de desembarque e se reunirá com autoridades governamentais em Tenerife. Em uma atualização via sua conta no X, Ghebrey informou estar em contato com o capitão do navio e um colega da OMS a bordo, confirmando que, neste momento, não há passageiros apresentando sintomas da doença. Contudo, ele já havia alertado anteriormente sobre a possibilidade de surgimento de novos casos devido ao longo período de incubação do hantavírus.
O Hantavírus: Cronologia dos Casos e Origem Suspeita
O surto no MV Hondius, que navegava da Argentina para Cabo Verde, resultou em pelo menos três mortes e cinco outras infecções confirmadas. Segundo as autoridades, a origem do contágio fora do navio é suspeita de ter ocorrido em um voo com escala em Joanesburgo, na África do Sul.
Trajetória da Infecção e Vítimas
A cronologia dos casos indica que o primeiro óbito foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu a bordo em 11 de abril. Inicialmente, o hantavírus foi descartado devido à similaridade dos sintomas com outras doenças respiratórias e à ausência de coleta de amostras. A investigação ganhou força quando sua esposa, após desembarcar em Santa Helena, viu seu estado de saúde deteriorar durante um voo para Joanesburgo, vindo a falecer em 26 de abril. Testes realizados no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul confirmaram o hantavírus como causa.
A terceira morte foi a de uma mulher de nacionalidade alemã a bordo do navio, que manifestou sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio, também com a doença confirmada. O primeiro caso confirmado de hantavírus ainda a bordo foi o de um homem britânico, que procurou o médico do navio em 24 de abril e foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde segue internado em terapia intensiva.
Além desses, outros casos incluem duas pessoas que estão em condição estável em hospitais, uma que se encontra assintomática e já na Alemanha, e um oitavo indivíduo que desembarcou em Santa Helena. A complexidade dos deslocamentos dos passageiros e o período de incubação do vírus têm sido fatores desafiadores para o rastreamento e controle da doença.
Perspectivas Futuras e Resposta Coordenada
A chegada do MV Hondius a Tenerife representa o ponto culminante de uma extraordinária operação de saúde pública e logística internacional. A resposta global demonstra a capacidade de mobilização e coordenação frente a emergências sanitárias de grande escala, com o foco principal na segurança dos passageiros e na contenção da propagação do hantavírus. A vigilância contínua, o monitoramento dos casos e a cooperação entre as nações serão essenciais para garantir o sucesso pleno desta complexa missão e a gestão das próximas etapas.
Fonte: https://g1.globo.com