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Ciro Nogueira na Mira da PF em Nova Fase da Operação Compliance Zero

Redação

O cenário político brasileiro foi abalado nesta quinta-feira, 7, com a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. As ações, focadas no desdobramento do escândalo envolvendo o Banco Master, incluíram o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária. Entre os alvos de busca e apreensão está o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Partido Progressista (PP), adicionando uma figura de alto escalão à complexa teia de investigações que se estendem por diversos setores da República.

Avanço da Operação e Medidas Judiciais

A nova etapa da Compliance Zero visa aprofundar as apurações sobre supostas fraudes financeiras e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master. Além das diligências em endereços estratégicos, a Polícia Federal efetuou a prisão temporária de Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, o proprietário do banco e figura central da investigação. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e direitos no montante de R$ 18,85 milhões, visando a recuperação de ativos e o ressarcimento de possíveis ilícitos.

O Intricado Escândalo do Banco Master

O Banco Master se tornou o epicentro de um vasto esquema de corrupção, fraudes financeiras e intimidação, com o banqueiro Daniel Vorcaro apontado como líder de uma organização criminosa. Vorcaro já havia sido detido em novembro de 2025 após a liquidação do banco pelo Banco Central, e novamente em março de 2026, quando seu aparelho celular foi apreendido – material que se tornou crucial para as investigações. As revelações deste escândalo transcenderam o mercado financeiro, expondo uma rede de relações que alcança desde políticos do chamado 'centrão' até membros do Supremo Tribunal Federal, indicando a amplitude da influência e os desafios para a transparência em Brasília.

Paralelamente, esforços para investigar o caso no Congresso Nacional têm enfrentado obstáculos. Apesar de a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o Banco Master já ter reunido as assinaturas necessárias para sua instalação, o senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento, atribui ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a responsabilidade por sua paralisação, impedindo um aprofundamento das investigações no âmbito legislativo.

Conexões e Controvérsias no Supremo Tribunal Federal

A investigação do Banco Master revelou também elos preocupantes com o Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito e se afastou de julgamentos relacionados ao caso, após ser divulgado que mantinha relações comerciais com a instituição financeira em um resort de luxo, o Tayayá. Outra conexão de destaque é o contrato de R$ 129 milhões celebrado pelo escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes para prestação de serviços ao Banco Master. Estas revelações levaram parlamentares a protocolar pedidos de impeachment contra os dois magistrados, evidenciando a pressão sobre a corte e a complexidade das relações entre os poderes.

O Elo Entre Ciro Nogueira e o Banco Master

A proximidade entre o senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro é um ponto central da quinta fase da Operação Compliance Zero. Mensagens extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal revelam que Vorcaro se referia ao senador como um de seus "grandes amigos de vida". Em uma conversa datada de 13 de agosto, o banqueiro manifestou entusiasmo com um projeto de lei de autoria de Nogueira, descrevendo-o como uma "bomba atômica" para o mercado financeiro.

Esta manifestação coincidiu com a apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central por Ciro Nogueira. A emenda propunha um aumento significativo no valor de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), passando de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão. Segundo a decisão judicial de André Mendonça, a redação dessa emenda teria sido elaborada pela assessoria do próprio Banco Master, uma vez que a ampliação da cobertura do FGC era uma das principais estratégias da instituição para impulsionar os investimentos em seus Certificados de Depósito Bancário (CDBs) antes de sua liquidação.

Além disso, a PF encontrou referências a pagamentos destinados a uma pessoa identificada apenas como "Ciro" nas trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado como seu operador financeiro. Em maio de 2024, Zettel teria enviado ao banqueiro uma lista para autorização de diversos pagamentos, incluindo a menção explícita de um "Pagamento pra Ciro", que foi subsequentemente autorizado por Vorcaro. Estas evidências sugerem uma relação que transcende a amizade, apontando para possíveis movimentações financeiras e influência legislativa.

Perspectivas da Investigação

A inclusão de Ciro Nogueira como alvo na Operação Compliance Zero eleva o patamar da investigação, sinalizando que a teia de relações do Banco Master com o poder político é ainda mais intrincada do que se imaginava. As descobertas da Polícia Federal, autorizadas pelo STF, indicam que a apuração está longe de ser concluída e que novas revelações podem surgir, impactando further o cenário político e jurídico nacional. O caso continua a expor vulnerabilidades e a desafiar as instituições na busca por integridade e responsabilização.

Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br

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