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Filha de Maradona Denuncia ‘Plano de Controle’ Contra o Ídolo e Aponta Envolvidos em Julgamento por Negligência Fatal

A morte de Diego Maradona, em novembro de 2020, continua a ser um foco de intensa disputa legal e emocional. Durante o julgamento em San Isidro, que investiga a responsabilidade de sete profissionais de saúde por suposta negligência fatal, Gianinna Maradona, uma das filhas do ídolo, apresentou um testemunho contundente. Ela declarou sua profunda convicção de que existia um esquema orquestrado pelo entorno e pela equipe médica de seu pai, cujo objetivo principal não era necessariamente a morte, mas sim o controle total sobre a vida de 'El Pibe de Oro'.

O 'Plano' de Controle e Seus Supostos Orquestradores

Gianinna, de 36 anos, detalhou sua percepção de um 'plano' complexo que visava dominar as decisões e a existência de seu pai. Embora ela ressalte que não crê em uma intenção direta de matá-lo, a filha do craque argentino está certa de que figuras como o ex-advogado e representante Matías Morla e o ex-assistente Maximiliano Pomargo desejavam ter a vida de Maradona em suas mãos. É importante notar que Morla e Pomargo, embora não figurem entre os sete réus do processo atual por negligência fatal, foram recentemente enviados a julgamento em uma data futura por suposta gestão fraudulenta das marcas comerciais associadas ao nome de Maradona, evidenciando outras frentes de batalha legal.

Ela sugeriu que havia uma mente 'dirigindo' essa teia de manipulações, que, em determinado momento, teria perdido o controle da situação, culminando na trágica morte de Maradona. Para Gianinna, o foco principal dos envolvidos estava nos interesses financeiros, acima de qualquer preocupação com a saúde de seu pai.

A Decisão Controvertida da Convalescença Doméstica

Um ponto central na narrativa de Gianinna e na investigação é a decisão, tomada em novembro de 2020, de que Maradona se recuperaria em casa após uma neurocirurgia, em vez de ser internado em uma clínica psiquiátrica. Segundo ela, alguns dos acusados no processo de negligência convenceram a família dessa opção. Uma internação psiquiátrica, que poderia ter abordado suas dependências, exigiria a tutela de um juiz, o que, na visão de Gianinna, não era conveniente para o círculo próximo de seu pai.

A filha do ídolo argumenta que essa escolha estava diretamente ligada aos interesses de Matías Morla, a quem Maradona havia concedido uma procuração para uso comercial de seu nome. Esse poder, que permitia a Morla assinar documentos como se fosse o próprio Maradona, desmoronaria caso o jogador fosse submetido a uma tutela judicial. A casa escolhida para a convalescença em Tigre, ao norte de Buenos Aires, é descrita pela acusação como 'desprovida de tudo', carecendo de equipamentos médicos adequados para um paciente em seu estado, o que se tornou um elemento crítico no processo.

Acusações de Manipulação e Omissões da Equipe Médica

Gianinna não poupou críticas à equipe médica envolvida na recuperação de Maradona. Em seu depoimento no tribunal, ela descreveu uma 'manipulação total, horrível' da família por parte desses profissionais. A filha de Maradona considera os sete acusados como corresponsáveis pela morte do pai, embora em diferentes graus, enfatizando que cada um tem sua parcela de culpa pelo que fez ou deixou de fazer.

Ela destacou o papel de Leopoldo Luque, então médico pessoal de Maradona, como a figura que 'gerenciava tudo' e era a 'voz principal' dentro da equipe. Além disso, apontou omissões diretas, como a falta de exames adequados por parte dos enfermeiros que estiveram com seu pai antes e depois de sua morte, evidenciando uma cadeia de negligências que teria levado à fatalidade.

Os Últimos Momentos: Medo e a Morte Solitária

Diego Maradona faleceu aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, após horas de agonia. Segundo Gianinna, a forma como ele morreu – sozinho em sua cama na residência alugada – reforça sua tese de um 'plano' e uma 'linha diretora' que todos seguiam. Ela reitera que Maximiliano Pomargo, cunhado de Morla, era quem 'puxava os fios' desse esquema.

A filha do craque argentino revelou que, à medida que o estado de saúde de seu pai piorava, os integrantes da equipe demonstraram 'medo', conforme evidenciado em áudios anexados ao processo. Nestas gravações, é possível ouvir expressões como 'vou me resguardar legalmente', sugerindo uma preocupação com as implicações legais futuras. Gianinna acredita que eles não previram a rapidez da ação da promotoria, que apreenderia seus telefones e realizaria buscas, expondo as comunicações internas da equipe.

Desfecho e Implicações Legais

Os sete profissionais de saúde acusados neste processo, entre eles médicos, enfermeiros e um psicólogo, negam qualquer responsabilidade pela morte de Maradona. Eles defendem que o ídolo morreu por causas naturais e cada um se apoia em sua especialidade e papel dentro da equipe para justificar suas ações. As penas para os acusados podem variar entre oito e 25 anos de prisão, refletindo a gravidade das acusações de homicídio com dolo eventual por omissão. O depoimento de Gianinna Maradona adiciona uma camada emocional e acusatória profunda a um caso que continua a chocar e a dividir a opinião pública argentina e mundial.

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