Narges Mohammadi, a renomada ativista iraniana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, encontra-se em um estado de saúde altamente instável. Após ser transferida da prisão para um hospital em Zanjan, no noroeste do Irã, neste sábado (2), sua condição levanta sérias preocupações globais, especialmente devido ao histórico de negação de tratamento médico adequado durante seu encarceramento.
Deterioração Preocupante e Risco Iminente de Vida
A Fundação Narges, responsável por divulgar informações sobre a saúde da ativista de 53 anos, alertou para uma "deterioração catastrófica" em seu quadro. Mohammadi depende de suporte de oxigênio, apresenta pressão arterial instável e registrou dois episódios de perda total de consciência, além de uma grave crise cardíaca. Nos últimos meses, ela perdeu mais de 19 quilos e sofre de dores constantes no peito. A situação é agravada pelo fato de que, apesar das recomendações médicas, autoridades iranianas inicialmente recusaram a suspensão temporária de sua pena para permitir acesso a atendimento cardiológico especializado.
Uma Vida de Luta e Perseguição Implacável
Narges Mohammadi foi agraciada com o Nobel da Paz por sua incansável campanha contra a pena de morte e em defesa dos direitos das mulheres no Irã. Sua militância a levou a ser detida novamente em dezembro de 2025 (sic – *considerando a data do Nobel em 2023 e as outras informações, presumimos um erro de digitação no ano e focamos na situação atual de sua detenção*) após tecer críticas ao governo. Em fevereiro deste ano, recebeu uma nova condenação que adicionou 7,5 anos à sua pena. Ao longo dos anos, Mohammadi já passou por três angioplastias e, em março, sofreu um ataque cardíaco grave, tendo recebido atendimento apenas na enfermaria da prisão, o que contribuiu para o atual agravamento de sua condição.
Apelo Desesperado da Família e Clamor Internacional
A família da ativista, que há semanas vem lutando pela sua transferência para uma unidade de saúde adequada, descreveu a recente internação como uma ação tardia e desesperada. Eles, junto aos médicos, continuam a pedir às autoridades iranianas que permitam a transferência de Mohammadi para um hospital na capital, Teerã, solicitação que até o momento não foi atendida. O irmão de Narges, Hamidreza Mohammadi, expressou o profundo desespero: "Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta". Diante da gravidade, a Fundação Narges fez um apelo urgente à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas (ONU) e a diversas entidades de direitos humanos para que pressionem o Irã pela transferência imediata e, em última instância, pela libertação de Mohammadi e de outros presos políticos.
A situação de Narges Mohammadi destaca a precariedade dos direitos humanos no Irã e o alto preço pago por aqueles que ousam se opor ao regime. A comunidade internacional aguarda com apreensão os próximos desdobramentos, com a esperança de que a pressão global possa garantir o direito à vida e ao tratamento digno para a laureada ativista.
Fonte: https://g1.globo.com