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Egito Antigo: Arqueólogos Descobrem Templo de 2.200 Anos Dedicado ao Deus Pelúsio no Sinai

G1

Uma notável descoberta arqueológica na antiga cidade de Pelúsio, localizada no norte da Península do Sinai, Egito, veio à tona com a revelação das ruínas de um templo milenar. Datado de aproximadamente 2.200 anos, esta estrutura sagrada era dedicada ao enigmático deus Pelúsio, prometendo reescrever capítulos importantes da história da região e do papel da cidade no mundo antigo. O anúncio, feito pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, empolgou a comunidade científica e o público, evidenciando o potencial contínuo de novas revelações no país.

O Coração da Descoberta: Tell el-Farma

O sítio arqueológico de Tell el-Farma, identificado como a localização da antiga Pelúsio, tem sido o palco de intensas escavações nos últimos seis anos. Foi nesse período que a missão arqueológica do Conselho Supremo de Antiguidades revelou os restos de um edifício singular. Este local de culto, associado diretamente à divindade local, mostrou-se de uso contínuo desde o século II a.C. até o século VI d.C., com poucas modificações em sua estrutura ao longo dos séculos. A revelação desta edificação demonstra a persistência e a importância da fé na vida dos habitantes da região por mais de oito séculos.

Arquitetura e Simbolismo: Um Projeto Único

A arquitetura do templo de Pelúsio destaca-se por sua concepção inovadora e profunda simbologia. Seu elemento central é uma impressionante bacia circular, medindo cerca de 35 metros de diâmetro, que se integra a um engenhoso sistema de canais de drenagem. Este sistema, por sua vez, conectava-se a um braço do Rio Nilo, fonte de vida e divindade para os egípcios. No coração da bacia, uma base quadrada sugere ter sustentado uma estátua colossal do deus Pelúsio, dominando o espaço sagrado.

Mohamed Abdel Badie, chefe do Setor de Antiguidades Egípcias, explicou o significado da bacia: ela era preenchida com água rica em lodo do rio, uma referência direta à divindade. O nome do deus, derivado da palavra grega “Plus” (lama), reforça a conexão intrínseca entre o culto e o elemento aquático e terroso do Nilo. Essa associação sublinha a natureza agrária e vital da divindade, intimamente ligada à fertilidade e à própria essência do Egito.

Pelúsio: Um Centro de Irradiação Cultural Antiga

A descoberta não apenas resgata um templo do esquecimento, mas também ilumina o papel estratégico de Pelúsio no cenário antigo. De acordo com Hisham El-Leithy, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, o projeto arquitetônico do templo é um testemunho da fusão cultural da época, combinando harmoniosamente tradições egípcias com influências helenísticas e romanas. Essa sincretismo arquitetônico evidencia a posição de Pelúsio como um importante entreposto para a difusão de ideias religiosas e culturais no Mediterrâneo Oriental.

A Jornada da Descoberta e o Futuro das Escavações

A saga desta descoberta começou em 2019, quando uma porção de 25% de uma estrutura circular de tijolos foi inicialmente desenterrada. No começo, os arqueólogos presumiram que se tratava do edifício do Senado da antiga cidade. Contudo, escavações subsequentes, aliadas a estudos de campo aprofundados e comparações com modelos arquitetônicos dos períodos helenístico e romano, levaram à reinterpretação. Os pesquisadores, incluindo o supervisor da missão Hisham Hussein, concluíram que a construção não era uma estrutura civil, mas sim uma sofisticada instalação de água sagrada, intrinsecamente ligada a rituais religiosos. O templo possuía entradas nos lados leste, sul e oeste, embora sua porção norte tenha sofrido danos significativos ao longo do tempo.

O ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, reiterou que esta descoberta reforça a importância estratégica e arqueológica do norte do Sinai, uma região ainda repleta de sítios promissores. O ministério reafirmou seu compromisso em dar continuidade às escavações e aos estudos científicos. Essas iniciativas são vistas como cruciais para expandir o conhecimento sobre o Egito Antigo, prometendo revelar ainda mais segredos guardados sob as areias do deserto.

Fonte: https://g1.globo.com

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