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Retinopatia Diabética: A Ameaça Ocular Silenciosa que Afeta Milhões de Brasileiros

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A retinopatia diabética emerge como uma grave preocupação de saúde pública no Brasil, com estatísticas alarmantes indicando que um em cada três indivíduos diagnosticados com diabetes desenvolverá esta condição em algum momento de sua vida. Esta doença ocular figura entre as principais causas de perda visual evitável em adultos em idade produtiva, impactando diretamente a qualidade de vida e a capacidade laboral. Diante desse cenário, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) intensifica seus esforços para munir a população de informações essenciais sobre prevenção, diagnóstico e tratamento eficazes.

Compreendendo a Retinopatia Diabética e Seus Impactos

A retinopatia diabética ocorre quando os níveis persistentemente elevados de glicose no sangue, ao longo de anos, provocam danos aos delicados vasos sanguíneos da retina – a estrutura luminossensível localizada no fundo do olho, crucial para a captação de imagens e sua transmissão ao cérebro. A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, adverte que as alterações podem progredir de forma insidiosa, muitas vezes sem manifestar sintomas nas fases iniciais. Essa ausência de sinais precoces retarda o diagnóstico, transformando a retinopatia em um problema que, se não tratado, pode levar à cegueira irreversível, impactando severamente a autonomia do indivíduo e gerando altos custos sociais e econômicos para o país, incluindo o sistema previdenciário e as políticas de saúde.

Riscos e a Progressão da Doença Ocular

A prevalência da retinopatia diabética é notável, atingindo entre 24% e 39% dos diabéticos brasileiros. O risco de desenvolver a doença aumenta proporcionalmente ao tempo de convívio com o diabetes. Após duas décadas do diagnóstico, por exemplo, a vasta maioria dos pacientes com diabetes tipo 1 (cerca de 90%) e uma parcela significativa dos portadores de diabetes tipo 2 (aproximadamente 60%) apresentarão algum grau da condição. No entanto, o CBO ressalta uma informação crucial e encorajadora: a detecção e o tratamento implementados em estágios iniciais podem reduzir drasticamente o risco de cegueira, diminuindo-o para menos de 5% dos casos.

A Chave para a Preservação da Visão: Diagnóstico Precoce

Para conter o avanço da retinopatia diabética, a recomendação primordial é a inclusão de consultas regulares ao oftalmologista na rotina de cuidados de todas as pessoas com diabetes, independentemente da presença de sintomas. A percepção de ausência de problemas visuais não garante a inexistência de danos já instalados. O principal recurso para identificar a doença é a fundoscopia, popularmente conhecida como exame de fundo de olho. Este procedimento, previsto pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética do Ministério da Saúde, permite ao especialista examinar a retina e seus vasos sanguíneos, identificando alterações antes que a visão seja comprometida, podendo inclusive requerer a dilatação da pupila para uma visualização mais abrangente das estruturas internas do olho.

Protocolo de Rastreamento e Acompanhamento

As diretrizes estabelecem momentos específicos para o rastreamento: pacientes com diabetes tipo 2 devem realizar o exame de fundo de olho já no momento do diagnóstico; adultos com diabetes tipo 1 devem iniciar o rastreamento cinco anos após a identificação da doença. Para crianças e adolescentes, o primeiro exame é indicado até cinco anos após o início do diabetes ou no começo da puberdade. A frequência do acompanhamento varia: anualmente para quem não tem retinopatia ou possui a forma leve, e mais vezes para casos moderados ou graves. Mulheres diabéticas que planejam engravidar ou que já estão gestantes também necessitam de avaliação a cada trimestre da gravidez e no primeiro ano pós-parto, com exceção, geralmente, de casos de diabetes gestacional, que não requerem triagem específica para retinopatia diabética.

Prevenção Além do Consultório: Hábitos Essenciais

Embora o acompanhamento oftalmológico seja indispensável, uma parcela significativa da prevenção da retinopatia diabética reside em ações cotidianas e no controle rigoroso da saúde geral. Manter a glicemia e a pressão arterial sob controle são medidas fundamentais que reduzem substancialmente o risco de surgimento da doença e retardam sua progressão. O CBO enfatiza um conjunto de hábitos saudáveis, incluindo uma dieta rica em fibras, verduras e legumes, com redução no consumo de açúcar, sal, embutidos e alimentos ultraprocessados. Além disso, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, manter um peso saudável, garantir uma boa qualidade de sono e reservar momentos de lazer são atitudes cruciais para a prevenção e o manejo eficaz da retinopatia diabética.

Em suma, a retinopatia diabética representa um desafio significativo, mas evitável. A conscientização, aliada a exames oftalmológicos regulares e a um estilo de vida saudável, são os pilares para proteger a visão de milhões de brasileiros e mitigar os impactos desta grave complicação do diabetes. A campanha do CBO e as diretrizes do Ministério da Saúde são ferramentas valiosas nessa jornada de prevenção e cuidado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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