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Desenrola 3.0: Governo Convoca Setor Financeiro para Lançar Nova Fase de Renegociação de Dívidas

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O governo brasileiro deu um passo decisivo na implementação da terceira fase do programa Desenrola, uma iniciativa crucial para a recuperação financeira de milhões de cidadãos. Uma portaria extraordinária, publicada no Diário Oficial da União, convocou oficialmente as instituições financeiras, bancos e fundos de investimento para apresentar as carteiras de dívidas que poderão ser adquiridas pela União. Este movimento marca o início do processo que visa reestruturar débitos antigos e de difícil recuperação, aliviando o endividamento e impulsionando a economia.

Aquisição Governamental de Dívidas: O Coração do Desenrola 3.0

A principal inovação desta edição do Desenrola reside na prerrogativa do governo de adquirir diretamente as dívidas do setor privado. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, projetou que o volume total de débitos antigos que poderão ser ofertados pelas instituições financeiras nesta etapa pode atingir a marca de R$ 90 bilhões. Embora o montante seja expressivo, o custo máximo estimado para o erário público, considerando o deságio mínimo exigido pelo programa, seria de R$ 9 bilhões, o que sublinha a estratégia de alto impacto com investimento otimizado.

Habilitação de Credores e Fases do Processo

As instituições financeiras interessadas, incluindo bancos, outras entidades de crédito e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), dispõem de cinco dias úteis a partir da publicação da portaria para informar o volume de débitos que pretendem submeter ao programa. É fundamental destacar que esta etapa não é uma abertura para a renegociação por parte dos consumidores, mas sim um levantamento de interesse e volume por parte dos credores. Para avançar, eles deverão apresentar carteiras de dívidas que se enquadrem nos critérios específicos do Desenrola 3.0 e aceitar as condições mínimas de desconto.

O procedimento de compra das dívidas será escalonado em quatro etapas principais:

Etapas do Leilão de Dívidas

1. **Chamamento Público:** Lançamento do edital para que os credores manifestem seu interesse formal em participar. 2. **Apresentação de Carteiras:** Período de cinco dias úteis para que as instituições informem os débitos elegíveis que desejam vender. 3. **Definição do Leilão:** Análise detalhada dos volumes apresentados, com categorização por faixas de renda dos devedores, visando estruturar a disputa. 4. **Compra Efetiva:** Realização do leilão para a aquisição das carteiras, inicialmente agendado para novembro, com margem para ser adiado até o início de dezembro.

A meta do governo é favorecer devedores de menor renda e Microempreendedores Individuais (MEIs). Contudo, há flexibilidade: caso o volume de dívidas de baixa renda não atinja o esperado, o governo poderá direcionar a compra para débitos de faixas de renda mais elevadas, mantendo o objetivo de desendividamento.

Mecanismo de Deságio e Estímulo à Concorrência

O custo efetivo para a União é uma preocupação central. Com a estimativa de R$ 90 bilhões em dívidas apresentadas, o programa exige um deságio mínimo de 90%, o que significa que o governo pagaria, no máximo, 10% do valor nominal das carteiras. Isso limita o desembolso máximo a R$ 9 bilhões, conforme mencionado. No entanto, o governo não tem a intenção de comprar indiscriminadamente todas as carteiras ofertadas.

A estratégia visa estabelecer um orçamento específico para o leilão, estimulando a concorrência entre os credores. Essa competição é esperada para gerar descontos ainda maiores, potencialmente superando o mínimo de 90% e alcançando patamares entre 93% e 95%. Tal abordagem garante maior eficiência no uso dos recursos públicos e maximiza o impacto do programa para os devedores.

Quais Dívidas Serão Abrangidas pelo Programa?

O Desenrola 3.0, instituído por medida provisória em setembro, foca em dívidas antigas com o objetivo de facilitar a renegociação para os consumidores. Para serem elegíveis à compra pela União, as dívidas devem atender a critérios específicos:

• **Valor:** Ter valor original de até R$ 10 mil. • **Atraso:** Estar com atraso entre 720 e 1.645 dias, o que corresponde a um período de aproximadamente dois anos a quatro anos e meio. • **Natureza:** Incluir débitos de cartão de crédito (modalidades rotativa e parcelada) e crédito pessoal que não seja consignado em folha de pagamento. • **Devedores:** Serem dívidas de pessoas físicas e MEIs, conforme as diretrizes do programa.

É importante notar que a estimativa inicial do governo era de um volume total de dívidas elegíveis em torno de R$ 150 bilhões, com um desembolso potencial de R$ 15 bilhões. A previsão atual de R$ 90 bilhões refere-se à expectativa de quanto os credores poderão oferecer nesta primeira fase de habilitação.

O Próximo Passo para o Consumidor Endividado

Após a conclusão do leilão e a aquisição das carteiras pelo governo, as dívidas serão renegociadas diretamente com os devedores. Os descontos substanciais obtidos na compra dessas carteiras serão repassados aos consumidores, criando condições muito mais favoráveis para a quitação. Os devedores terão a opção de quitar o débito à vista ou parcelar o pagamento, sendo que o parcelamento envolverá a cobrança de juros.

No momento, os consumidores não precisam procurar os bancos ou tomar qualquer iniciativa para participar desta fase inicial do programa. As regras detalhadas sobre prazos, taxas e outras condições operacionais ainda estão pendentes de definição pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e da regulamentação final. O governo comunicará amplamente as instruções e os procedimentos para que os consumidores possam acessar as renegociações assim que o sistema estiver plenamente operacional.

Esta terceira fase do Desenrola representa uma ambiciosa política pública, buscando não apenas aliviar o peso da dívida para milhões de brasileiros, mas também injetar liquidez no mercado e estimular a retomada do consumo e da atividade econômica. A sua efetividade dependerá da adesão das instituições e da clareza das condições para o consumidor final, que aguarda ansiosamente uma chance de reorganizar sua vida financeira.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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