O deputado estadual reeleito Dilmar Dal Bosco (União Brasil) apresentou uma avaliação crítica sobre a estratégia eleitoral de seu partido nas últimas eleições em Mato Grosso. Segundo o parlamentar, a formação de uma chapa proporcional considerada "enxuta", com apenas nove nomes para disputar cadeiras na Assembleia Legislativa, impediu que a legenda alcançasse um número maior de representações, frustrando o potencial de conquistar ao menos três vagas e terminando a disputa com duas.
A análise de Dal Bosco aponta para uma série de desafios internos e decisões estratégicas que, em sua visão, impactaram diretamente o desempenho do União Brasil. A cobrança por uma reorganização partidária e a retomada do diálogo interno surgem como pontos cruciais para o futuro da sigla no estado.
A Chapa Reduzida e o Cálculo Eleitoral Malogrado
Dilmar Dal Bosco não escondeu sua insatisfação com a decisão de apresentar um número tão limitado de candidatos a deputado estadual. Ele ressaltou a incongruência de ter o governador do estado, agora senador eleito, Mauro Mendes, como presidente da legenda e, ainda assim, optar por uma chapa tão concisa. O deputado revelou que, a poucos dias do pleito, temia que o partido elegesse apenas um representante, mas o crescimento e a manutenção dos votos pessoais foram decisivos para garantir a segunda cadeira.
A crença do parlamentar é que, com um número maior de postulantes — talvez quinze —, o União Brasil teria, com certeza, alcançado três assentos no parlamento, fortalecendo a representatividade da sigla. Essa limitação numérica, conforme sua crítica, foi um fator determinante para o desempenho aquém do esperado.
Falhas na Articulação e Desfalques Estratégicos
Ao aprofundar a análise sobre as causas da chapa enxuta, Dal Bosco apontou para a carência de liderança e falhas significativas no processo de articulação. Ele criticou a ausência de um esforço coletivo para atrair e apoiar mais candidatos, o que resultou em desfalques importantes durante o período de filiações. Um exemplo notório citado foi o do deputado Eduardo Botelho, cuja expressiva votação poderia ter garantido mais uma cadeira para o União Brasil, caso tivesse permanecido na legenda.
Essas lacunas na gestão e na estratégia de expansão foram, para o deputado, um dos principais entraves que minaram o potencial eleitoral do partido em Mato Grosso, impedindo a consolidação de uma bancada mais robusta na Assembleia Legislativa.
O Chamado por Renovação e Diálogo Interno
Para o futuro do União Brasil, Dilmar Dal Bosco defende uma reestruturação profunda da dinâmica partidária. Ele enfatiza a urgência de retomar o diálogo interno, realizando reuniões que, segundo ele, têm sido escassas nos últimos anos. A necessidade de "conversar e se dedicar" é apontada como fundamental, especialmente com a nova função de Mauro Mendes como senador, que demandará mais de seu tempo.
O parlamentar cobrou a formação de novas lideranças e a aproximação com as bases, citando nomes promissores como o prefeito Paulinho Peixoto, Bruno Mena de Matupá e Juvan de São José do Rio Claro, que, em sua visão, têm potencial para se tornarem grandes referências políticas. Essa renovação de quadros é vista como essencial para o crescimento e a competitividade do partido nos próximos pleitos.
Perspectivas Futuras e Lições do Passado
Apesar das ressalvas sobre a montagem da chapa, Dilmar Dal Bosco reconheceu que o União Brasil garantiu posições estratégicas no cenário político, elegendo dois deputados estaduais, dois federais e um senador, além de integrar o governo estadual. Ele fez um paralelo com momentos de adversidade anteriores, como as dificuldades enfrentadas em 2014 com o governo Pedro Taques e a subsequente recuperação, que culminou na eleição do senador Jayme Campos em 2018.
Essa capacidade de superação, para o deputado, deve servir de inspiração para um novo ciclo de trabalho e autocrítica, analisando os erros e buscando corrigi-los. A comparação com o Progressistas (PP), que não elegeu nenhum representante federal ou estadual, reforça a urgência de o União Brasil intensificar sua atuação no estado, visando fortalecer sua representatividade para as eleições de 2030 e além.
Em suma, o posicionamento de Dilmar Dal Bosco é um chamado à reflexão e à ação dentro do União Brasil. A crítica à estratégia eleitoral e o apelo por maior diálogo e renovação de lideranças demonstram a preocupação em consolidar o partido como uma força política ainda mais relevante em Mato Grosso, aprendendo com os desafios do passado para construir um futuro eleitoral mais promissor.