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A Morte que Despertou Madri: Vinte Mil Pessoas Protestam Contra Despejos Forçados na Espanha

G1

Madrid testemunhou uma poderosa demonstração de indignação e solidariedade na quinta-feira, dia 8. Cerca de 20 mil pessoas tomaram as ruas da capital espanhola, impulsionadas pela trágica morte de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que faleceu apenas duas semanas após ser despejada de sua casa. O caso de Abascal, que viveu no mesmo imóvel por mais de sete décadas, tornou-se um doloroso símbolo da crescente crise habitacional na Espanha e catalisou uma série de protestos por moradia digna em todo o país.

A Tragédia de Maricarmen: Símbolo da Crise Habitacional

A história de Maricarmen Abascal, de 87 anos, ressoa como um alerta severo. Após viver por 71 anos em sua residência na rua Sainz de Baranda, ela foi obrigada a deixar o imóvel em 23 de setembro. A desocupação ocorreu depois que a empresa imobiliária Urbagestión adquiriu o prédio e impôs um aluguel mensal de 2.650 euros, valor insustentável para Abascal, cuja aposentadoria girava em torno de 1.350 euros. O estresse e o desgaste resultantes do processo de despejo levaram-na à internação no Hospital Gregorio Marañón, onde veio a falecer na quarta-feira, dia 7 de outubro, marcando um fim precoce e amplamente lamentado pela comunidade.

Mobilização e Mensagens nas Ruas da Capital

A memória de Maricarmen uniu a capital espanhola em uma marcha imponente. Organizada pelo Sindicato de Inquilinos, a manifestação teve início às 20h na emblemática Puerta del Sol, onde ativistas já se encontravam acampados há dias, e seguiu em direção à última morada de Abascal. Ao longo do percurso, os participantes depositaram flores, acenderam velas e deixaram mensagens de homenagem e revolta. Um momento de silêncio foi respeitado na praça de Cibeles, em frente à sede da Prefeitura de Madri, e o grupo também recordou Olga, outra vítima recente de despejo em L'Hospitalet, Barcelona. Cartazes com frases como "O rentismo mata" e "Maricarmen somos todas" expressavam a fúria contra a especulação imobiliária e a solidariedade às vítimas. Uma coroa de flores foi deixada em homenagem, acompanhada de uma faixa que pedia que Maricarmen fosse lembrada na luta pelo direito à moradia.

O Eco Nacional de um Clamor por Moradia Digna

A mobilização em Madri não foi um evento isolado, mas parte de um movimento nacional mais amplo, que se manifestou simultaneamente em diversas cidades espanholas, incluindo Barcelona, Valência, Zaragoza e Sevilha. Estes atos, coordenados por grupos defensores de políticas habitacionais justas, evidenciam a profundidade e a urgência da crise que afeta o país. Em resposta à crescente pressão, o Sindicato de Inquilinos ampliou suas ações, convocando uma greve geral para 11 de novembro e defendendo o adiantamento das eleições gerais, sinalizando a necessidade de mudanças estruturais na política habitacional. A morte de Maricarmen e a subsequente onda de protestos trouxeram à tona discussões sobre as medidas urgentes já aprovadas pelo governo para enfrentar a crise e a própria decisão do primeiro-ministro de convocar eleições antecipadas, sublinhando a gravidade da situação habitacional no cenário político nacional.

A trágica partida de Maricarmen Abascal, longe de ser um evento isolado, tornou-se um ponto de inflexão na luta por moradia digna na Espanha. Sua história não apenas mobilizou milhares de pessoas nas ruas de Madri e de outras cidades, mas também catalisou um debate mais amplo e urgente sobre as políticas habitacionais e a proteção dos mais vulneráveis. As exigências por mudanças e a convocação para futuras ações coletivas indicam que o legado de Maricarmen será lembrado como um chamado à ação, reverberando na consciência pública e no cenário político espanhol em busca de soluções para uma crise que afeta a vida de tantos.

Fonte: https://g1.globo.com

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