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Produção Florestal Brasileira Atinge Valor Recorde de R$ 47,9 Bilhões em 2025, Impulsionada pela Silvicultura

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O setor florestal do Brasil registrou um marco histórico em 2025, alcançando uma produção econômica avaliada em impressionantes R$ 47,9 bilhões. Este montante representa o maior valor já computado para o país, evidenciando um crescimento significativo de 6,7% em comparação ao ano anterior. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, refletem o desempenho tanto das florestas naturais quanto das cultivadas, apresentados em valores correntes do ano da pesquisa.

A Ascensão Histórica da Silvicultura e o Recuo do Extrativismo

A análise do IBGE distingue a produção florestal entre silvicultura – que engloba o manejo de áreas plantadas – e o extrativismo, referente à exploração de florestas nativas. Em 2025, a silvicultura foi o principal motor desse crescimento recorde, registrando um aumento robusto de 8,6% e atingindo a cifra de R$ 41 bilhões. Em contraste, a extração vegetal seguiu um caminho inverso, com um recuo de 3,1%, fechando o ano com R$ 6,9 bilhões.

Essa disparidade reflete uma tendência consolidada nas últimas décadas. Se no final da década de 1990 ambos os segmentos se alternavam na liderança da produção florestal, a silvicultura experimentou um crescimento exponencial desde então. Em 2025, a produção oriunda de áreas plantadas já correspondia a 85,6% do total, relegando o extrativismo a apenas 14,4%. O IBGE sublinha que, a partir de 2019, o valor econômico da silvicultura expandiu-se em notáveis 165%, um fenômeno atribuído, em grande parte, aos avanços tecnológicos aplicados ao setor.

Eucalipto: Pilar da Indústria de Celulose e Liderança Global

As florestas plantadas no Brasil cobriram uma área de 10,4 milhões de hectares em 2025, uma extensão comparável ao estado de Pernambuco. Desse total, impressionantes 78,6% são cultivados com eucalipto, uma espécie conhecida pelo seu rápido crescimento, geralmente entre sete e oito anos. Essa característica o torna a matéria-prima preferencial para a indústria de celulose, que é crucial para a fabricação de papel e diversos outros produtos.

A produtividade da silvicultura brasileira, aliada a condições climáticas e de solo altamente favoráveis, bem como investimentos em práticas sustentáveis, solidificou a posição do Brasil como o maior produtor e exportador mundial de celulose. O país conquistou essa liderança global em 2022, superando o Canadá. Em 2025, a produção nacional de celulose alcançou 22,2 milhões de toneladas, um aumento de 12,7% em relação ao ano anterior.

Dinâmica de Preços no Mercado Internacional

Apesar do volume recorde de produção, o valor das exportações de celulose registrou um recuo de 3,9% em 2025, totalizando US$ 10,2 bilhões. Sendo uma commodity, o preço da celulose é diretamente influenciado pelo mercado global. O IBGE aponta que essa queda de preços foi motivada por um excesso de oferta internacional, uma desaceleração no consumo chinês que resultou no aumento dos estoques, e por questões cambiais, como a valorização do real frente ao dólar. Mesmo com essa flutuação, a celulose se manteve como o oitavo produto mais exportado pelo Brasil em 2025, demonstrando sua relevância estratégica na balança comercial do país.

Geografia da Riqueza Florestal: Destaques Regionais e Municipais

O levantamento do IBGE identificou que 4.889 municípios contribuíram para a produção florestal brasileira no ano passado. Entre eles, Três Lagoas, localizada no leste de Mato Grosso do Sul, emergiu como o grande destaque. A cidade, com cerca de 145 mil habitantes, viu sua produção florestal triplicar (+216,3%) em relação a 2024, atingindo R$ 1,8 bilhão. Esse desempenho é impulsionado pela presença de grandes fábricas de celulose, incluindo as da Suzano, maior empresa mundial do setor, e da Eldorado.

No âmbito estadual, Minas Gerais se sobressaiu, com o valor da produção da silvicultura chegando a R$ 9,2 bilhões em 2025, o que representa 22,5% do total nacional. O estado mineiro também se destaca como o maior produtor de carvão vegetal do país, respondendo por 84,6% do volume nacional.

Para Além da Madeira: A Importância dos Produtos Não Madeireiros

A pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura também lançou luz sobre o valor dos produtos não madeireiros. Os itens alimentícios, por exemplo, geraram R$ 2,2 bilhões em valor de produção. Desse montante, a metade foi proveniente da produção de açaí, totalizando 251 mil toneladas, sendo que dois terços (66,7%) dessa colheita tiveram origem no estado do Pará.

Outro produto não madeireiro de grande relevância é a erva-mate, que ocupou a vice-liderança nesse segmento, com um valor de produção de R$ 562,3 milhões. O Paraná se destacou como o principal produtor nacional de erva-mate, respondendo por 88,4% de toda a extração do país, evidenciando a diversidade e o potencial econômico multifacetado das florestas brasileiras.

O recorde alcançado em 2025 sublinha a crescente importância do setor florestal para a economia brasileira, impulsionado pela modernização da silvicultura e pela demanda global por seus produtos. Enquanto a celulose mantém sua relevância estratégica, a pesquisa também reitera o valor intrínseco e econômico dos recursos naturais não madeireiros, que contribuem significativamente para a diversificação e sustentabilidade da produção florestal do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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