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Oktoberfest: Do Casamento Real Bávaro à Maior Festa Folclórica Global

G1

Todos os anos, Munique se transforma no palco do maior festival folclórico do mundo, a Oktoberfest. Milhões de visitantes convergem para a capital bávara, atraídos por uma atmosfera de celebração exuberante, regada a cerveja, comidas típicas e diversão. O evento, que perdura por 16 a 18 dias, é um espetáculo grandioso, que tem suas raízes em um evento histórico surpreendente, muito diferente da festa que conhecemos hoje.

O Ritual que Anuncia a Festa

A pontualidade é sagrada no primeiro sábado após 15 de setembro, quando o prefeito de Munique se dirige à Theresienwiese, o Campo de Teresa. Exatamente ao meio-dia, com um martelo de madeira em punho, sua missão é cravar a torneira no primeiro barril de cerveja com o mínimo de golpes, evitando respingos. O brado "O'zapft is!" – "Já está aberta!" – ecoa, seguido por um desejo de "Auf eine friedliche Wiesn!" – "Por uma Oktoberfest em paz!". Doze salvas de canhão disparadas da estátua da Baviera, a figura que simboliza a força e identidade regional, marcam o início oficial de uma festa que atrai mais de seis milhões de pessoas de todos os cantos do planeta.

Imersão na Cultura Bávara e o Grande Espetáculo

Além do ritual de abertura, a Oktoberfest é uma imersão profunda na cultura bávara, manifestada nos trajes típicos e na transformação da Theresienwiese. Homens e mulheres desfilam com lederhosen, calças curtas de couro, e dirndls, conjuntos que incluem corpete e avental, cujos detalhes, como o laço do avental, carregam significados sociais sobre o estado civil. Mas a festa vai além da vestimenta; durante os seus dias de duração, o Campo de Teresa se converte em um gigantesco parque de diversões, repleto de carrosséis e montanhas-russas. No entanto, a verdadeira alma do festival reside nas seis imponentes tendas, onde rios de cerveja – em quantidade suficiente para encher quase três piscinas olímpicas – são servidos. A bebida é frequentemente acompanhada por mais de 1,2 milhão de brezn, os tradicionais pretzels bávaros, assados durante o evento.

Um Casamento Real como Gênese de uma Nação

A origem de toda essa opulência e alegria remonta a mais de dois séculos, em um contexto político e geográfico muito diferente. Em 1810, a Alemanha ainda não era um país unificado, mas um mosaico de reinos e ducados. O reino da Baviera, recém-proclamado, vivia sob a influência napoleônica, o que gerava um forte sentimento nacionalista. Foi nesse cenário que Luís, o príncipe herdeiro da Baviera, casou-se com a inteligente princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen. Longe de ser um romance apaixonado, a união foi uma jogada política estratégica, conforme o próprio Luís escreveu, buscando vantagens para o futuro. O inusitado veio na celebração: em vez de uma cerimônia exclusiva para a aristocracia, o casal decidiu convidar o povo para um festim público de cinco dias. A cidade foi iluminada, houve óperas, bailes e mesas fartas com comida e cerveja custeadas pelo rei em praças e tavernas. O objetivo, segundo historiadores, era mais do que uma festa: visava unificar culturalmente comunidades distintas recém-anexadas ao reino, como a Francônia e a Suábia, sob uma identidade bávara comum.

O Batismo de uma Tradição Duradoura

A culminância das celebrações do casamento real ocorreu em 17 de outubro de 1810, com uma grandiosa corrida de cavalos. O evento atraiu cerca de 40 mil pessoas para um campo nos arredores das muralhas de Munique – um número impressionante, considerando que a população total da cidade na época era de apenas 40.638 habitantes. O sucesso estrondoso levou o rei a batizar aquele local em homenagem à sua nora, Princesa Teresa, que passou a ser conhecido como Theresienwiese. A festa, então chamada de Oktoberfest por ter ocorrido em outubro, foi um marco. Tão bem-sucedida que, no ano seguinte, foi repetida, incorporando uma exposição agrícola, uma tradição que se mantém até hoje a cada três anos. Assim, o que começou como uma celebração de uma união real e uma demonstração de unidade nacional, evoluiu gradualmente para a megacelebração folclórica e cervejeira que cativa o mundo atualmente.

Da estratégica união de um príncipe bávaro e uma princesa germânica, em meio às tensões napoleônicas, nasceu um evento que transcendeu sua função original. A Oktoberfest, mais de dois séculos depois, é um testemunho vivo da resiliência da tradição e da capacidade de uma festa de se reinventar, mantendo suas raízes históricas enquanto abraça milhões de pessoas em uma celebração global da cultura bávara.

Fonte: https://g1.globo.com

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