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Ministro Flávio Dino Aponta Liderança de Mário Frias em Suposto Esquema de Desvio de Emendas com Vínculos ao PCC

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou a existência de indícios que apontam para um papel de liderança do deputado federal Mário Frias em um suposto esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. O objetivo central dessa trama seria o financiamento do filme 'Dark Horse', uma produção que dramatiza a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram detalhadas em um despacho publicado pelo ministro, que atua como relator de uma investigação aprofundada sobre a aplicação de verbas públicas.

O Protagonismo de Mário Frias na Arquitetura Criminosa

Em seu despacho, Flávio Dino enfatizou a recorrente alusão a Mário Frias no que ele descreveu como o 'itinerário delituoso', atribuindo ao parlamentar um 'papel de liderança na suposta arquitetura criminosa' no terreno hipotético da investigação. Essa conclusão foi reforçada por dados cruciais recebidos da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo, que solidificaram a percepção do protagonismo de Frias no alegado desvio de verbas destinadas a emendas parlamentares federais.

Operação Make Up: Alvos e Irregularidades Financeiras

A investigação ganhou um novo capítulo com a autorização, na última quinta-feira (10), da Operação Make Up pelo ministro Dino. A Polícia Federal (PF) cumpriu um total de 49 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos dessa operação figuravam o próprio deputado federal Mário Frias, que já ocupou o cargo de secretário da Cultura no governo Bolsonaro e é um dos roteiristas do filme 'Dark Horse', além da empresária Karina Gama.

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) foram determinantes ao indicar uma série de irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares de autoria de Frias. Esses recursos foram supostamente direcionados a duas entidades – o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC) – ambas registradas em nome de Karina Gama, aprofundando as suspeitas sobre a gestão desses fundos.

Relação com o Primeiro Comando da Capital (PCC)

Um dos aspectos mais alarmantes da investigação, conforme revelado por Dino em seu despacho, é a hipótese de uma ligação entre o desvio de dinheiro das emendas parlamentares e organizações criminosas vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O ministro afirmou que, além do suposto desvio de verba pública com a finalidade de financiar o filme 'Dark Horse', o material recebido da Justiça paulista sugere um esquema de corrupção de maior envergadura com conexões diretas com a facção criminosa.

Dino descreveu a situação como uma 'imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos', que envolveria tanto emendas parlamentares federais quanto verbas destinadas à prefeitura de São Paulo. Segundo o ministro, essa organização alcançaria 'vínculos com a facção PCC', conforme indicado na linha investigativa.

Esclarecimentos da Prefeitura de São Paulo e Ações em Andamento

Diante das alegações, a prefeitura de São Paulo manifestou-se, afirmando não haver irregularidades nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil, uma das entidades citadas. O município destacou que o Programa WiFi Livre 'segue em pleno funcionamento na cidade com 3,2 mil pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados'. A administração municipal reiterou que o serviço contratado foi devidamente prestado, e a parceria passou por prestações de contas semestrais, consideradas mais rigorosas que o mínimo legal. A prefeitura salientou ainda que as movimentações financeiras da entidade não fazem parte da relação contratual com a administração municipal.

A Agência Brasil, responsável pela cobertura, buscou contato com a assessoria do deputado Mário Frias para obter um posicionamento sobre as acusações, porém, até o momento da publicação, não havia recebido resposta.

A investigação prossegue sob a relatoria do ministro Flávio Dino, buscando elucidar completamente os complexos elos de um esquema que, se confirmado, conecta o desvio de recursos públicos à produção cinematográfica e a graves ramificações com o crime organizado.

Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br

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