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AirBaltic Inicia Recuperação Judicial nos EUA Diante de Crise e Impacto da Guerra no Oriente Médio

G1

A companhia aérea letã airBaltic protocolou, nesta segunda-feira (14), um pedido voluntário de proteção contra falência sob o Capítulo 11 do Código de Falências dos Estados Unidos, em Nova York. A medida busca reestruturar suas significativas dívidas e navegar por uma crise setorial global sem precedentes, intensificada pelos desdobramentos da guerra com o Irã, que elevou dramaticamente os custos operacionais das empresas de aviação.

Crise Geopolítica e Endividamento Pressionam a Companhia

A decisão da airBaltic reflete um cenário desafiador que assola o setor de viagens aéreas. A escalada das tensões no Oriente Médio, particularmente a guerra envolvendo o Irã, provocou uma disparada nos preços do combustível de aviação, que dobraram em pouco tempo. Este aumento súbito e acentuado é apontado como o catalisador da pior crise enfrentada pelas companhias aéreas desde a pandemia de Covid-19, alertando investidores e executivos para o risco iminente de recuperação judicial ou falência para empresas financeiramente mais vulneráveis.

Em documentos apresentados à Justiça dos EUA, o conselho da airBaltic detalhou que a companhia vinha enfrentando sérias dificuldades financeiras, decorrentes de uma combinação de fatores econômicos e geopolíticos. A empresa acumula dívidas e compromissos que totalizam aproximadamente US$ 583 milhões, relacionados ao financiamento e ao aluguel de aeronaves. Além disso, há um passivo de € 106 milhões em impostos sobre a folha de pagamento e outras taxas e impostos do setor de aviação. A receita registrada pela companhia em 2025 foi de aproximadamente € 779 milhões, demonstrando a escala de suas operações em contraste com o volume de seus encargos.

Plano de Reestruturação e Financiamento Estratégico

O pedido de proteção sob o Capítulo 11 oferece à airBaltic uma estrutura legal para se proteger de credores enquanto elabora um plano de reestruturação abrangente. Durante este processo, que será supervisionado pela Justiça americana e tem expectativa de ser concluído até junho de 2027, a companhia aérea garantiu um compromisso de financiamento substancial. Um montante de € 350 milhões (equivalente a US$ 405 milhões) foi assegurado por um consórcio de instituições financeiras, incluindo Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management. Estes recursos são cruciais para manter as operações da airBaltic enquanto a reestruturação avança.

O financiamento, que virá com juros de cerca de 12%, ainda depende da aprovação da Justiça dos Estados Unidos. O CEO da airBaltic, Erno Hilden, que possui experiência anterior em processos de recuperação judicial, tendo comandado a companhia escandinava SAS em um processo similar de 2022 a 2024, expressou confiança na estratégia. Ele afirmou que a empresa buscará diálogo com todas as partes interessadas para firmar acordos com termos sustentáveis e espera alcançar uma melhoria de € 44 milhões no resultado anual. A airBaltic assegurou que todos os voos continuarão operando normalmente ao longo do processo de reestruturação.

A Posição do Governo Letão e a Análise de Mercado

A airBaltic, majoritariamente controlada pelo governo da Letônia e com uma participação minoritária de 10% detida pela alemã Lufthansa, viu a intervenção do estado como crucial. O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, explicou que a decisão de buscar a recuperação judicial veio após investidores que detêm mais de 70% da dívida da empresa optarem pela liquidação. Kulbergs classificou o processo como 'uma das melhores opções para garantir a viabilidade da airBaltic', fornecendo as ferramentas e o tempo necessários para implementar o plano de reestruturação. O governo, paralelamente, continua em busca de um investidor estratégico, enquanto a companhia se dedica a reorganizar suas dívidas e reduzir sua frota, que atualmente conta com cerca de 50 aeronaves Airbus A220-300.

Anteriormente, os detentores de títulos da airBaltic consideravam um plano para captar até € 257 milhões por meio de uma nova dívida, com vencimento em fevereiro de 2027 e juros de 25%. A escolha pelo Capítulo 11, em vez dessa alternativa, é vista com otimismo por especialistas. John Strickland, analista do setor, comentou que o processo oferece uma 'estrutura de proteção para colocar a casa em ordem', e que não há razão para a airBaltic não ter sucesso como a SAS. Yves Schwyter, fundador da Vectus Intelligence, reforçou que a decisão representa uma 'estrutura de capital provavelmente mais sustentável' do que as opções anteriormente discutidas.

Impacto Regional e Cenário Global de Instabilidade

A situação da airBaltic não é um caso isolado e sublinha a fragilidade que permeia o mercado de aviação global. A empresa letã é a segunda companhia aérea a enfrentar um colapso em meio aos efeitos da guerra com o Irã, seguindo a Spirit Airlines. Embora a companhia americana de baixo custo tenha protocolado sua falência meses antes do início do conflito no final de fevereiro, ela não conseguiu obter apoio dos credores para um plano de resgate governamental, o que exemplifica os desafios que se intensificaram após o cenário geopolítico. Outras gigantes do setor também sentem a pressão, como a AirAsia, maior companhia aérea de baixo custo do Sudeste Asiático, que busca ativamente uma nova injeção de capital para se manter à tona.

Esses eventos servem como um alerta para a instabilidade que as companhias aéreas enfrentam, navegando entre custos operacionais crescentes e incertezas geopolíticas. O processo de recuperação judicial da airBaltic, portanto, não é apenas um desafio para a Letônia e seus parceiros, mas um barômetro das pressões sistêmicas que redefinem o futuro da aviação comercial em escala global.

Fonte: https://g1.globo.com

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