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Canadá Busca ‘Aliança Única’ com a União Europeia em Meio a Tensões Comerciais com os EUA

G1

Em um cenário de crescentes atritos comerciais com os Estados Unidos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou neste domingo (13) a intenção de seu país em forjar uma "aliança única" com a União Europeia (UE). A iniciativa surge após especulações do jornal Wall Street Journal sobre uma possível associação formal de Ottawa ao bloco europeu, que estaria considerando conceder ao Canadá uma categoria inédita de membro associado, uma exceção às suas rígidas regras de adesão.

Distinção Clara: Aliança Estratégica, Não Adesão Plena

Apesar dos relatos, Carney foi enfático em esclarecer a natureza dessa futura parceria. "Não estamos buscando nos tornar membros da União Europeia", afirmou o premiê durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto. Ele enfatizou que o objetivo é iniciar discussões para uma "aliança única" que capitalize sobre valores compartilhados, prioridades alinhadas e forças econômicas complementares entre o Canadá e a UE. O jornal canadense The Globe and Mail, citando fontes anônimas, sugeriu que o termo 'membro associado' partiu da própria União Europeia, embora a classificação exata dessa relação ainda esteja em fase embrionária de discussão.

O Cenário de Pressão: Conflito Comercial com Washington

A busca por laços mais profundos com a Europa é diretamente influenciada pela deterioração das relações entre Ottawa e Washington. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, as divergências comerciais e outras questões têm escalado, resultando na imposição mútua de tarifas sobre bilhões de dólares em trocas. Neste domingo, Trump reiterou suas críticas ao Canadá, classificando-o como "o pior para negociar" e ameaçando novas tarifas sobre veículos e autopeças canadenses a partir de janeiro, intensificando a pressão sobre o governo canadense para diversificar e fortalecer suas alianças comerciais globais.

Pilares de uma Integração Econômica Aprofundada

As discussões entre Canadá e União Europeia, conforme detalhado pelo Wall Street Journal, visam facilitar a circulação de bens, serviços e trabalhadores em setores estratégicos. Dentre as áreas prioritárias estão energia, inteligência artificial, defesa e minerais críticos, sinalizando uma ambição de aprofundar significativamente a integração econômica. A pauta inclui também projetos de infraestrutura como a instalação de cabos submarinos, construção de centros de dados, expansão de sistemas de armazenamento em nuvem, desenvolvimento de novas redes de satélite e investimentos para exportar energia canadense para a Europa. Além disso, há conversas para permitir que cidadãos canadenses vivam e trabalhem na UE sem visto, um tema que Carney discute regularmente com líderes europeus, notadamente o presidente francês Emmanuel Macron.

Próximos Passos Diplomáticos: Viagem de Carney à Europa

Para sublinhar a seriedade dessa busca por uma nova aliança, o gabinete de Carney confirmou que o primeiro-ministro viajará para a França e o Reino Unido na próxima semana. A agenda inclui um discurso no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, e a participação na apresentação sobre o Estado da União Europeia, conduzida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Separadamente, a Presidência francesa confirmou um encontro entre Macron e Carney em 20 de setembro, em Saint-Pierre e Miquelon, território francês próximo à costa atlântica do Canadá, reforçando a intensa atividade diplomática em curso.

Obstáculos e Precedentes de Resistência

Apesar do entusiasmo e da urgência diplomática, qualquer aprofundamento dos laços entre Canadá e União Europeia deverá enfrentar desafios consideráveis. Experiências anteriores demonstram que há resistência em algumas partes da Europa, mesmo a acordos mais modestos. Um exemplo notável é o acordo comercial abrangente CETA (Acordo Econômico e Comercial Global) entre Canadá e UE, que, uma década após ser firmado e nove anos depois de entrar em vigor provisoriamente, ainda não foi ratificado por diversos países do bloco, indicando que a construção de uma "aliança única" poderá ser um processo complexo e moroso.

Fonte: https://g1.globo.com

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