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A Precarização Oculta: Apenas Um Quinto dos Motociclistas de Aplicativo Possui Cobertura Previdenciária

© Rovena Rosa/Agência Brasil

O rápido avanço da economia de plataformas digitais no Brasil trouxe consigo uma expansão significativa de novas modalidades de trabalho, notadamente entre motociclistas e motoristas de aplicativo. No entanto, um estudo recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela uma face preocupante dessa transformação: a vasta maioria desses profissionais atua sem a devida proteção previdenciária. Os dados, compilados a partir de um módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, acendem um alerta sobre a vulnerabilidade social e econômica de centenas de milhares de trabalhadores.

A Fragilidade da Proteção Previdenciária na 'Uberização'

Entre os aproximadamente 405 mil motociclistas que operam por meio de aplicativos de transporte e entrega no país, apenas 79 mil, o que corresponde a míseros <b>19,4%</b> (ou um em cada cinco), contam com alguma forma de cobertura previdenciária. Este índice contrasta drasticamente com a média de 62,4% observada para o total de pessoas ocupadas no setor privado. Mesmo ao considerar todos os motociclistas no Brasil, sejam eles plataformizados ou não, a cobertura previdenciária alcança 31%, evidenciando uma lacuna ainda maior para os trabalhadores de app.

A ausência de contribuição para institutos de previdência significa que esses trabalhadores estão desprovidos de garantias fundamentais. Benefícios como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária ou permanente, e pensão por morte são inacessíveis, expondo esses profissionais e suas famílias a riscos socioeconômicos substanciais, uma preocupação amplificada pela natureza inerentemente perigosa da atividade de motociclista. O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, ressalta que essa pequena fatia de proteção previdenciária contrasta fortemente com os perigos inerentes à ocupação, como acidentes e outros riscos diários.

Crescimento Exponencial e a Coleta de Dados Experimental

O contingente de motociclistas de aplicativo tem experimentado um crescimento notável. O levantamento do IBGE aponta um aumento de <b>15,4%</b> no número de trabalhadores plataformizados entre 2024 e 2025. Em um período mais amplo, de 2022 (primeiro ano da pesquisa) a 2025, o número de motociclistas de aplicativo praticamente dobrou, saltando de 211 mil para os atuais 405 mil. Os dados foram coletados em 2025 para compor esse módulo especial sobre trabalho por plataformas digitais, classificados como experimentais, o que significa que estão em fase de teste e avaliação, sem coleta de informações em 2023.

Rendimento e Jornada: Um Panorama Distinto para Motociclistas

Em termos de remuneração, os motociclistas que utilizam aplicativos apresentaram um rendimento médio mensal de R$ 2.221, valor que representa o montante efetivamente 'retirado' após o desconto de custos operacionais como combustível. A jornada semanal desses profissionais era, em média, de 44,9 horas. Curiosamente, o rendimento médio por hora dos plataformizados, de R$ 11,4, era <b>12,9%</b> superior ao dos motociclistas não vinculados a apps, que recebiam R$ 10,1 por hora e trabalhavam cerca de 41,1 horas semanais.

A Realidade dos Motoristas de Aplicativo

Além dos motociclistas, a Pnad Contínua também abordou a situação dos motoristas de aplicativo. Em 2025, o Brasil contava com 905 mil pessoas atuando nesta modalidade, um aumento de 9,8% em relação ao ano anterior e um incremento de 26% em três anos, partindo de 718 mil profissionais.

A cobertura previdenciária entre os motoristas de aplicativo também se mostra alarmante: apenas um em cada quatro (<b>25,5%</b>) possui essa proteção, um patamar ainda distante da média de 43,8% observada para todos os motoristas do país, independentemente da plataforma. Esse dado reforça a vulnerabilidade predominante no universo dos trabalhadores por aplicativo.

Contrariando a tendência observada entre os motociclistas, os motoristas de aplicativo registram um rendimento por hora inferior ao de seus pares não plataformizados. Em 2025, motoristas de app tinham uma jornada média de 45,9 horas semanais e recebiam R$ 14,4 por hora, enquanto os não plataformizados trabalhavam 40,4 horas e recebiam R$ 16 por hora. Apesar do menor valor por hora, a jornada mais longa dos motoristas de aplicativo resultava em uma remuneração mensal ligeiramente maior, de R$ 2.873, valor 2,4% superior ao dos motoristas não vinculados a plataformas.

Desafios e o Futuro do Trabalho por Aplicativos

Os dados do IBGE sublinham a crescente relevância do trabalho por plataformas digitais na economia brasileira, ao mesmo tempo em que expõem a urgência de debates e soluções para a proteção social desses trabalhadores. A baixa adesão à previdência social, aliada às longas jornadas e, em alguns casos, rendimentos por hora mais baixos em comparação com o trabalho tradicional, aponta para uma precarização que exige atenção. Enquanto o Supremo Tribunal Federal adia julgamentos importantes sobre a 'uberização' e a regulamentação do setor continua em discussão, a vida de milhões de brasileiros que dependem desses aplicativos permanece em um limbo de incertezas e riscos, sem as garantias básicas que a seguridade social deveria oferecer.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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