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Jornada Diplomática de Alto Nível: Jared Kushner Lidera Esforços por Acordo de Paz em Gaza

G1

Em um movimento diplomático de alta complexidade e urgência, Jared Kushner, negociador dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, participou neste domingo (16) de uma rara reunião com Khalil al-Hayya, chefe do grupo terrorista Hamas, segundo informações da agência Associated Press. Este encontro marca uma intensificação dos esforços para desbloquear um cessar-fogo na Faixa de Gaza, um território devastado por mais de dez meses de conflito, onde as vidas de aproximadamente dois milhões de pessoas e a necessidade de reconstrução do enclave estão em jogo.

Uma Nova Rodada de Esforços pela Paz

A reunião, realizada no Egito, foi confirmada por autoridades sob condição de anonimato à AP. Kushner liderou uma delegação de enviados norte-americanos, que contou também com a participação de representantes do Egito, Catar e Turquia, países que desempenham papéis cruciais como mediadores. O principal objetivo do encontro com al-Hayya era garantir o compromisso do Hamas com o desarmamento, uma etapa considerada fundamental antes das conversações agendadas para esta segunda-feira (17) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. No ano passado, um esforço diplomático semelhante resultou em um cessar-fogo temporário, mas os avanços foram rapidamente estagnados pela questão do desarmamento do grupo.

Para o encontro com Netanyahu, Kushner será acompanhado pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e por Nickolay Mladenov, diretor do Conselho de Paz criado pelos EUA. A reunião, que será realizada a portas fechadas, busca persuadir o líder israelense a aceitar os termos do plano de paz.

O Plano de 15 Pontos e Seus Obstáculos

O núcleo das negociações atuais é um plano de 15 pontos, apoiado pelos Estados Unidos, que visa ao desarmamento do Hamas e à retirada das forças de Israel do território palestino. O grupo Hamas, por sua vez, indicou seu compromisso com a proposta, aguardando o início de um período de negociações de 14 dias para estabelecer um cronograma. Contudo, essa fase depende da aprovação de todas as partes envolvidas. Entre as condições impostas pelo Hamas, está a exigência de que Israel paralise os ataques e reposicione suas tropas para a indefinida 'linha amarela' antes que qualquer acordo seja implementado. Atualmente, as forças israelenses controlam aproximadamente 60% de Gaza, com Netanyahu declarando em maio a intenção de expandir esse controle para 70%.

No entanto, o plano de 15 pontos enfrentou resistência significativa na semana passada, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu o rejeitou publicamente, em uma rara demonstração de oposição ao governo Trump, que é o principal aliado de Israel.

Pressão Regional e Internacional sobre Israel

A postura de Israel tem gerado críticas contundentes de potências regionais. Antes das reuniões de Kushner, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Paquistão, Indonésia e os países mediadores emitiram um comunicado conjunto. O documento condenou abertamente Israel, afirmando que o país “agora tem a responsabilidade por obstruir os esforços para trazer a paz a Gaza” e pediu que os EUA tomem “medidas imediatas e concretas” para evitar que qualquer das partes bloqueie a implementação do acordo. Tanto a Casa Branca quanto o Instituto Tony Blair optaram por não comentar as negociações em andamento.

O Impasse Crucial sobre o Desarmamento

A questão do desarmamento do Hamas permanece como o principal entrave às negociações. O plano americano prevê que o grupo entregue suas armas a um comitê tecnocrata palestino responsável pela administração de Gaza. No entanto, o Hamas condiciona a entrega de seu armamento mais pesado à criação de um Estado palestino, uma proposta veementemente rejeitada pelo atual governo israelense. O cronograma do acordo sugere um desarmamento gradual, ocorrendo simultaneamente à retirada das tropas israelenses. Contudo, Netanyahu insiste que Israel não recuará de nenhuma posição militar até que o Hamas esteja completamente desarmado. Essa divergência fundamental paralisa outros pontos cruciais do acordo, incluindo a tão necessária reconstrução de Gaza e o envio de forças internacionais para atuar no território.

O Cenário Político de Netanyahu e as Eleições Israelenses

A posição intransigente de Benjamin Netanyahu é, em parte, moldada por um cenário político interno delicado. Com eleições marcadas para 27 de outubro, o primeiro-ministro busca manter-se no poder, contando com o apoio de uma coalizão que inclui ministros de linha-dura. Além disso, o país se aproxima do aniversário dos ataques de 7 de outubro de 2023, que desencadearam a atual guerra, o que adiciona uma camada de sensibilidade política. Em resposta às críticas das potências árabes, o partido Likud, de Netanyahu, declarou neste domingo que os países vizinhos visam derrubar o governo atual para favorecer candidatos de centro e centro-esquerda, uma tentativa que, segundo a legenda, “não vai acontecer”.

Conclusão: O Frágil Equilíbrio da Paz em Gaza

A intensa agenda diplomática liderada por Jared Kushner reflete a urgência e a complexidade de se alcançar uma paz duradoura em Gaza. Com vidas em jogo e a necessidade premente de reconstrução, os mediadores internacionais enfrentam o desafio monumental de conciliar as demandas de segurança de Israel com as aspirações do povo palestino e as exigências do Hamas. A resistência de Netanyahu ao plano de paz, somada às condições do Hamas e à pressão regional, cria um ambiente de incerteza sobre o desfecho dessas negociações cruciais. O sucesso da missão de Kushner dependerá da capacidade de superar esses entraves profundamente enraizados e forjar um caminho consensual para o cessar-fogo e a estabilidade na região.

Fonte: https://g1.globo.com

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