O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, está considerando uma ação militar no Mali, na África Ocidental, contra o grupo extremista Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado à Al-Qaeda. A informação, revelada na última quarta-feira (22) pelo jornal norte-americano "The Washington Post", sinaliza uma possível escalada nas intervenções militares dos EUA, que têm marcado o segundo mandato presidencial de Trump, iniciado em janeiro de 2025. Caso se concretize, Mali se tornaria a oitava nação a ser alvo de ataques militares diretos dos Estados Unidos desde o início do atual período administrativo.
Mali: O Cenário e o Debate Interno
A potencial incursão militar no Mali visa combater o JNIM, que o "Washington Post" descreve como a organização extremista mais bem armada da região do Sahel. O grupo tem sido responsável por uma série de ataques coordenados nos últimos meses, atingindo diversas áreas do país e até mesmo operando nas ruas da capital, Bamako. A proposta de uma ação militar norte-americana, no entanto, ainda enfrenta divisões e não alcançou unanimidade dentro do alto escalão do governo Trump, refletindo a complexidade e os riscos envolvidos em tal operação na instável região do Sahel.
Um Histórico de Intervenções: As Sete Nações Já Atacadas
A possível operação no Mali seguiria um padrão de engajamento militar ativo dos Estados Unidos em múltiplos teatros globais desde o início de 2025. As intervenções da gestão Trump abrangeram desde ataques pontuais a campanhas mais extensas contra grupos terroristas e até mesmo confrontos diretos com estados-nação. Abaixo, detalhamos os países onde os EUA já empreenderam ações militares neste período.
Iêmen: Retaliação no Mar Vermelho
Entre março e maio de 2025, os Estados Unidos executaram uma "operação militar em grande escala" no Iêmen, caracterizada por uma série de bombardeios contra o grupo extremista Houthi, que possui laços com o Irã. Estas ações foram uma resposta direta aos ataques dos Houthis contra navios comerciais no Mar Vermelho, em um movimento de apoio ao grupo palestino Hamas em meio ao conflito em Gaza. Os bombardeios atingiram alvos Houthis em Sanaa e em regiões portuárias, resultando em dezenas de mortes. Em maio, o presidente Trump anunciou um cessar-fogo com o grupo.
Irã: Um Conflito Escalado pela Questão Nuclear
Os EUA e o Irã entraram em confronto militar direto a partir de 28 de fevereiro de 2025, após ataques aéreos conjuntos entre Washington e Israel que resultaram na morte de figuras-chave do governo iraniano, incluindo o Líder Supremo Ali Khamenei. O conflito evoluiu em diversas fases, incluindo períodos de trégua e a assinatura de um acordo de paz preliminar, mas foi plenamente retomado com novas trocas de bombardeios em julho. Meses antes da deflagração da guerra, em junho de 2025, o Exército norte-americano havia realizado bombardeios surpresa contra as principais instalações nucleares iranianas em Fordow, Natanz e Isfahan, com o governo Trump afirmando que o objetivo principal da campanha é impedir o Irã de desenvolver armas nucleares.
Iraque: Combate ao Estado Islâmico
Em março de 2025, os EUA realizaram ataques aéreos de precisão contra alvos do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) no Iraque, como parte de suas operações antiterrorismo. Essa investida resultou na eliminação de Abu Khadijah, um dos principais líderes do EI e considerado um dos terroristas mais perigosos do mundo. As autoridades do governo Trump indicaram que os ataques foram conduzidos com o apoio da inteligência iraquiana.
Nigéria: Intervenções Contra o EI no Oeste Africano
Em dezembro de 2025, os Estados Unidos lançaram bombardeios contra alvos do Estado Islâmico na Nigéria, também inseridos no contexto das ações antiterrorismo globais. O presidente Trump justificou o ataque como retaliação a atentados do EI contra cristãos na região noroeste do país africano. Posteriormente, em maio de 2026, Trump anunciou que uma operação militar conjunta – separada dos bombardeios anteriores – envolvendo forças especiais dos EUA e o Exército nigeriano, culminou na morte de Abu-Bilal al-Minuki, então o número dois do Estado Islâmico na região.
Síria: Campanhas Contínuas Contra o Terror
A Síria tem sido alvo de múltiplos bombardeios norte-americanos desde 2025, em uma persistente campanha antiterrorismo da administração Trump. Em dezembro de 2025, um ataque em larga escala foi desferido contra posições do Estado Islâmico como retaliação pela morte de dois soldados americanos e um intérprete civil em Palmira dias antes, com o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, descrevendo a ação como uma "declaração de vingança". Em janeiro de 2026, uma nova onda de bombardeios contra o EI abrangeu todo o território sírio, realizada em cooperação com as forças de segurança locais. Meses depois, em junho, os EUA confirmaram a morte de Ali Husayn al-‘Ulaywi, apontado como líder do EI no noroeste da Síria, em mais uma operação aérea.
Somália: Foco em Operações Antiterroristas
A Somália também foi palco de ataques por parte do governo Trump, sob o pretexto de operações antiterrorismo. Embora os detalhes específicos sobre datas ou alvos não tenham sido divulgados na íntegra, a presença americana no país africano reflete a estratégia de combate a grupos extremistas na região, frequentemente associados a células da Al-Qaeda ou do Estado Islâmico.
Venezuela: Ações Militares Não Detalhadas
A Venezuela figura na lista de países onde os Estados Unidos realizaram ações militares na segunda gestão de Donald Trump. Contudo, o teor e as circunstâncias exatas dessas operações não foram especificados na informação disponível, deixando em aberto a natureza precisa do engajamento americano no país sul-americano durante este período.
Implicações e o Futuro das Intervenções
O panorama das ações militares dos EUA sob a gestão Trump desde 2025 demonstra uma política externa marcada por intervenções diretas e decisivas em diversos conflitos regionais e globais. A possível ação no Mali não apenas adicionaria uma nova frente a este legado, mas também sublinharia a contínua prioridade do combate ao terrorismo em diferentes regiões do mundo, da Ásia ao Oriente Médio e agora, possivelmente, com maior intensidade no Sahel africano. O debate interno sobre a aprovação da operação no Mali sugere que, mesmo com um histórico de intervenções, cada nova decisão é ponderada diante dos complexos desafios geopolíticos e das consequências potenciais.