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Ex-político suíço de ultradireita é denunciado por série de estupros e tentativa de homicídio; Vítimas Enfrentam Revés Institucional

G1

Um caso de chocante brutalidade e hipocrisia política vem à tona na Suíça, envolvendo um ex-parlamentar do Partido do Povo Suíço (SVP), sigla de ultradireita. Patrick Frei, de 57 anos, foi formalmente denunciado pelo Ministério Público sob gravíssimas acusações que incluem o estupro reiterado de sua enteada, à época uma criança, além de abusos contra sua companheira e outra mulher. A complexidade do caso se aprofunda com a revelação de que, após a prisão do agressor, as vítimas, de nacionalidade polonesa, foram alvo de medidas controversas por parte das autoridades locais de Aargau, que negaram assistência social integral e ordenaram sua deportação, alegando que os abusos sofridos não configuravam uma "grave dificuldade pessoal".

Detalhes das Acusações e o Perfil do Réu

As denúncias contra Patrick Frei, ex-deputado estadual do cantão de Aargau, são estarrecedoras. Ele é acusado de drogar e estuprar sua enteada, então com 14 anos, em mais de 40 ocasiões ao longo de vários meses. O ex-político, que também atuava como especialista em TI, teria utilizado sedativos para facilitar os crimes, registrando os atos em vídeos. Além da adolescente, sua companheira, mãe da menina, e uma terceira mulher também teriam sido vítimas de abusos sexuais.

Diante da extensão e crueldade dos atos, o Ministério Público solicitou prisão perpétua para Frei. A lista de acusações é robusta e abrange múltiplos crimes: tentativas de homicídio (com asfixia por sedativos), estupros múltiplos, coerção sexual, atentado ao pudor, múltiplos atos sexuais com crianças, agressões, crimes relacionados a drogas, múltiplos crimes de pornografia e de violação de privacidade através de dispositivos de gravação, além de assédio sexual. Frei nega grande parte das acusações, e a data do julgamento perante o Tribunal Distrital de Baden ainda não foi definida.

A Descoberta dos Abusos e a Morosidade Investigativa

Os crimes vieram à tona em setembro de 2023, quando Iwona L., mãe da enteada, flagrou seu então companheiro no quarto da filha, Paula L., durante a noite e acionou a polícia. Patrick Frei foi detido e permanece em prisão preventiva desde então. A complexidade da investigação, no entanto, resultou em um atraso considerável: quase três anos se passaram entre sua prisão e a formalização da acusação.

A demora foi atribuída pelo Ministério Público à necessidade de analisar um vasto volume de material de imagens e vídeos, muitos dos quais teriam sido gravados pelo próprio Frei e o mostram em diversas ocasiões. As vítimas, por terem sido sedadas, apresentavam pouca memória dos abusos, o que tornou as gravações apreendidas a principal base para a sustentação das acusações.

O Contraste: Discurso Político e a Brutalidade dos Atos

A gravidade dos crimes de Patrick Frei é ainda mais acentuada pelo seu histórico político. Como membro do Grande Conselho do Cantão de Aargau e expoente de um partido de ultradireita, ele frequentemente utilizava sua plataforma para culpar estrangeiros pela violência contra mulheres. De forma chocante, pouco antes de sua prisão, Frei chegou a assinar uma petição pública que exigia medidas mais rigorosas contra pedófilos, evidenciando uma flagrante contradição entre seu discurso público e os atos privados pelos quais é acusado.

O Calvário das Vítimas: Dependência e Revitimização Institucional

Após a prisão de Frei, as vítimas – Iwona L. e sua filha Paula L., agora com 18 anos – encontraram-se em uma situação de extrema vulnerabilidade. Ambas não possuíam meios de subsistência próprios e eram completamente dependentes financeiramente do agressor. Inicialmente, foram forçadas a permanecer na casa de Frei, no mesmo quarto onde os abusos ocorreram. Paula L., em entrevista ao jornal suíço Tages-Anzeiger, desabafou: "Foi terrível. Eu odiava estar naquele lugar, dormir naquele colchão."

A situação se agravou com a resposta das autoridades locais do município de Untersiggenthal, que negaram assistência social integral às mulheres. Em vez do auxílio mensal padrão de cerca de 1.600 francos suíços, elas receberam um valor reduzido de aproximadamente 1.000 francos, sob a justificativa de que seu status de residência estava sob revisão. As autoridades locais encaminharam o caso ao departamento de imigração, questionando a validade de um contrato de trabalho de Iwona com Frei, que, embora a designasse para cuidar da casa e jardim por um salário, nunca resultou em pagamentos efetivos, apenas no custeio das despesas de moradia.

O departamento de imigração de Aargau, por sua vez, emitiu uma ordem para que Iwona e Paula deixem o país, ameaçando com deportação forçada caso não o façam. A decisão se baseou na avaliação de que as alegações de agressão sexual não constituíam uma "grave dificuldade pessoal" que justificasse a permanência na Suíça. Além disso, Iwona L. foi multada em 2.160 francos suíços por supostamente enganar as autoridades.

Conclusão: Uma Questão de Justiça e Proteção às Vítimas

O caso de Patrick Frei expõe não apenas a brutalidade dos crimes sexuais, mas também levanta sérias questões sobre a responsabilidade de figuras públicas e a resposta de instituições estatais na proteção às vítimas. Enquanto o ex-parlamentar aguarda julgamento por acusações que podem levar à prisão perpétua, a saga de Iwona e Paula L. destaca a vulnerabilidade de vítimas de crimes hediondos que, em vez de amparo, enfrentam desconfiança e ameaça de expulsão. A busca por justiça para os atos de Frei se entrelaça com a necessidade urgente de revisão das políticas de assistência e imigração, para garantir que vítimas de violência não sejam revitimizadas por aqueles que deveriam protegê-las.

Fonte: https://g1.globo.com

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