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Crescimento Moderado à Vista: CNI Mantém Projeção do PIB em 2% e Alerta para Desafios Econômicos

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reiterou sua projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024. A estimativa, apresentada no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, aponta para um avanço econômico em ritmo moderado, impulsionado principalmente pela robustez da indústria extrativa, do agronegócio e da resiliência do setor de serviços. Contudo, a entidade alerta para um cenário com significativos entraves, como juros elevados, inflação persistente, aumento dos custos de produção e o avanço das importações.

Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, sublinhou que o crescimento atual é sustentado por setores ligados às commodities e por estímulos à demanda interna. No entanto, ele enfatizou que a política monetária restritiva, que mantém o custo do crédito elevado, e as fragilidades do cenário fiscal permanecem como os principais obstáculos para uma expansão econômica mais acelerada e robusta no país.

Panorama Macroeconômico: Pressões Inflacionárias e Desafios Fiscais

Além da manutenção da projeção do PIB, a CNI revisou para cima a expectativa de inflação para este ano. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi ajustada de 4,4% para 5%, refletindo a pressão contínua exercida pelos preços de alimentos, combustíveis e serviços sobre o poder de compra do consumidor.

O cenário fiscal também figura entre as principais preocupações da confederação. Apesar da expectativa de crescimento da receita líquida federal em 5,8% acima da inflação, o aumento projetado das despesas federais em 4,5% acima da inflação sugere que as contas públicas deverão permanecer no vermelho. A entidade prevê um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em 2026, com a dívida pública atingindo 82% do PIB, elevando o nível de endividamento do país e limitando a margem de manobra para políticas de estímulo.

Desempenho Setorial: Indústria com Destaques e Dificuldades

A indústria nacional teve sua expectativa de crescimento revisada positivamente, de 1,6% para 2,1% no PIB industrial. Este impulso é atribuído principalmente à indústria extrativa, cuja projeção subiu de 7,8% para 9,1%. O segmento, beneficiado pelo aumento da produção de petróleo e menos sensível aos juros elevados, demonstra um desempenho vigoroso que compensa parcialmente outras áreas. Em contrapartida, a indústria de transformação, embora tenha visto sua projeção melhorar de 0,3% para 0,6%, ainda enfrenta fortes pressões decorrentes do avanço das importações, dos juros altos e do encarecimento dos custos de produção, agravados por conflitos geopolíticos. Segundo a CNI, apenas sete dos 24 segmentos da indústria de transformação apresentam crescimento.

A construção civil, por sua vez, projeta um avanço de 1,3% para 1,5%. Este segmento deve ganhar fôlego com as medidas governamentais destinadas a estimular o crédito habitacional e os investimentos em infraestrutura, sinalizando uma recuperação gradual impulsionada por políticas específicas.

Agropecuária e Serviços: Robustez e Inadimplência

A agropecuária se destaca com a segunda revisão consecutiva para cima em suas projeções, passando de 1,1% para 1,8%. A expectativa de uma nova safra recorde, com ênfase na produção de soja, somada ao crescimento da produção animal, impulsiona o setor. Este desempenho positivo se mantém mesmo diante do aumento dos custos de insumos, que são influenciados por conflitos no Oriente Médio, reforçando a resiliência do agronegócio brasileiro.

O setor de serviços continua a ser um pilar da economia, sustentado pelo dinamismo do mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação. No entanto, a CNI ajustou levemente para baixo a projeção de crescimento do setor, de 2,1% para 1,9%. Fatores como o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e a persistência dos juros elevados começam a impactar o consumo e a atividade econômica, limitando um desempenho mais expressivo.

Política Monetária: Juros Restritivos no Horizonte

Diante da inflação persistente e da deterioração do cenário fiscal, a CNI reduziu suas expectativas para a queda da taxa básica de juros, a Selic. A projeção atual indica que o Banco Central deverá realizar apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026. Com a Selic atualmente em 14,25% ao ano, a CNI estima que a taxa de juros ao final de 2026 será de 13,75%, uma revisão em relação à previsão anterior de 12,75%.

Essa perspectiva mantém a política monetária em um nível bastante restritivo. A entidade calcula que os juros reais, que consideram a inflação, fiquem em torno de 9,2%, enquanto o juro neutro, que não afeta o PIB, é estimado em 5%. Essas cifras reforçam a percepção de que o custo do crédito permanecerá elevado, impactando o investimento e o consumo por um período prolongado.

Cenário Externo e Comércio: Riscos Geopolíticos e Tarifários

No âmbito internacional, a guerra no Oriente Médio permanece como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito tem contribuído para a elevação dos custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão pode diminuir ao longo do ano com o esperado aumento da oferta mundial de petróleo.

O comércio exterior brasileiro apresenta um cenário misto. No primeiro semestre, as importações de bens de consumo avançaram 16%. A projeção para as importações totais em 2024 é de US$ 306 bilhões, representando um aumento de 5,2%. As exportações, por sua vez, devem alcançar US$ 383,9 bilhões, com crescimento de 9,5%, resultando em um superávit da balança comercial de US$ 77,9 bilhões, um incremento de 30,4%.

No entanto, a entidade ressalta que este cenário positivo para a balança comercial pode ser alterado por fatores externos, como a possível imposição de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Tal medida representaria um novo desafio e poderia afetar o desempenho das exportações do país ao longo de 2026, adicionando incerteza ao ambiente comercial internacional.

Em síntese, a CNI projeta um ano de crescimento econômico moderado para o Brasil, ancorado na força de setores chave, mas sob o constante escrutínio de desafios internos e externos. A vigilância sobre a inflação, a disciplina fiscal, a condução da política monetária e a evolução do cenário geopolítico serão determinantes para a trajetória econômica do país nos próximos anos.

Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br

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