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TCE-MT Propõe Mudanças na Lei de Licitações para Destravar Milhares de Obras Paralisadas em Mato Grosso

Sérgio Ricardo vai propor mudança na Lei de Licitações para destravar mais de 2,7 mil obras m...

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), por meio de seu presidente, conselheiro Sérgio Ricardo, prepara-se para encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta ambiciosa: alterações na Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021). O objetivo central é priorizar e agilizar a retomada de mais de 2,7 mil obras municipais atualmente paralisadas no estado, um passivo que representa um significativo desperdício de recursos públicos e um entrave ao desenvolvimento local.

O Cenário Preocupante das Obras Interrompidas

A situação em Mato Grosso é alarmante, com 2.705 obras municipais estagnadas, que somam um montante de R$ 3,6 bilhões. Esses números, detalhados no módulo “Obras Paralisadas” do Radar de Controle Público do TCE-MT, revelam que 1.705 desses empreendimentos estão inativos há mais de 90 dias. A paralisação não só impede o acesso da população a serviços essenciais, como também gera desgaste nas estruturas existentes, elevando custos para futuras conclusões. Municípios como Várzea Grande, Barra do Bugres e Rondonópolis enfrentam os maiores desafios, concentrando obras paradas nos setores de infraestrutura e transporte, educação e saúde.

Proposta de Flexibilização para a Retomada

Para reverter esse quadro, a principal sugestão do conselheiro Sérgio Ricardo, a ser apresentada ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, visa permitir que os municípios contratem empresas locais para finalizar projetos interrompidos. Essa flexibilização possibilitaria a contratação de novas empresas, mesmo que não tenham participado do processo licitatório original, desde que atendam rigorosamente aos critérios estabelecidos no edital inicial. A medida busca desburocratizar o processo e injetar celeridade na conclusão desses importantes investimentos.

Inovação Tecnológica a Serviço do Controle e Planejamento

O TCE-MT tem se destacado na utilização de ferramentas tecnológicas para aprimorar a fiscalização e oferecer suporte estratégico aos gestores. As plataformas Platão e Radar de Controle Público, desenvolvidas pela Secretaria Executiva de Tecnologia da Informação (SETI), centralizam informações exclusivas que transcendem a mera auditoria, servindo como base para orientações e para a formulação de planos de longo prazo, como o “Plano de Metas Mato Grosso 2050”, que delineará a gestão para os próximos 24 anos.

Platão: Inteligência Artificial no Monitoramento Preventivo

Lançada como uma ferramenta estratégica do TCE-MT, a inteligência artificial Platão fortalece a gestão pública e a qualidade dos serviços oferecidos à população. Com um modelo próprio de consultas em linguagem natural e hospedado no data center do órgão, a plataforma agiliza processos internos e amplia significativamente a capacidade de fiscalização preventiva. Desde maio, o Platão monitora e analisa em tempo real todos os editais de licitação publicados pelos órgãos públicos mato-grossenses, atuando de forma proativa para evitar prejuízos financeiros e garantir a lisura dos contratos e obras.

Radar de Controle Público: Transparência em Tempo Real

Desde 2021, o TCE-MT disponibiliza no módulo “Obras Paralisadas” do Radar de Controle Público um panorama atualizado das obras interrompidas no estado. A plataforma oferece detalhes sobre cada projeto, valores já gastos e o tempo de paralisação. As informações são obtidas do Sistema Geo-Obras, também do TCE-MT, e são alimentadas de forma declaratória pelas próprias unidades gestoras responsáveis pelos empreendimentos. A gestão e manutenção da ferramenta são de responsabilidade da Secex de Obras e Infraestrutura, em parceria com a SETI.

Responsabilização e Transparência nas Contas Municipais

Em um passo adicional para coibir o problema, o TCE-MT passará a considerar as obras paralisadas como um ponto de controle crucial na análise das contas anuais dos gestores. A partir deste ano, os prefeitos serão obrigados a informar, em suas prestações de contas, quais obras se encontram paralisadas, o montante já despendido, os motivos da interrupção e a empresa originalmente contratada. Essa medida visa aumentar a transparência e a responsabilização, buscando forçar uma solução definitiva para as construções inacabadas.

A iniciativa do presidente do TCE-MT representa um esforço conjunto para desatar um nó que compromete o desenvolvimento de Mato Grosso. Ao propor mudanças legislativas, aliar tecnologia de ponta na fiscalização e intensificar a cobrança de transparência dos gestores, o Tribunal busca garantir que os recursos públicos sejam efetivamente aplicados em projetos que beneficiem diretamente a população, transformando o cenário de obras paralisadas em um de progresso e entrega de serviços essenciais.

Fonte: https://jornaldematogrosso.com.br

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