A política mato-grossense foi palco de mais um embate de declarações entre figuras proeminentes. Em um cenário de crescente tensão, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), não hesitou em classificar as recentes acusações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), como uma estratégia deliberada para desviar o foco de questões internas da capital. As declarações de Brunini, que imputavam a deputados estaduais o uso indevido de recursos do agronegócio para fins pessoais, foram prontamente rebatidas como uma "cortina de fumaça" pelo chefe do parlamento estadual.
A Origem das Acusações e a Reação do Legislativo Estadual
A polêmica teve início na última sexta-feira, durante a abertura da 58ª Expoagro. Em um discurso que defendia o setor do agronegócio, o prefeito Abilio Brunini surpreendeu ao direcionar suas críticas a deputados estaduais. Sem citar nomes, Brunini afirmou que haveria parlamentares na Assembleia Legislativa sustentados por verbas do agronegócio, que utilizariam esses recursos para custear, além de suas famílias, "amantes", mesmo sendo capazes de, por vezes, criticar o próprio setor que os financiava. Essa declaração gerou imediata repercussão e levou Max Russi a intervir, desqualificando o teor das acusações como uma tática para manipular a narrativa pública.
Para Russi, a falta de especificidade nas acusações do prefeito é uma ferramenta calculada para semear desconfiança sem apresentar provas concretas. O deputado enfatizou que tais declarações, embora chamativas, servem principalmente para capturar a atenção da mídia e alterar a pauta, desviando o debate de temas que, segundo ele, seriam mais incômodos para a gestão municipal. A habilidade de Brunini em criar novas narrativas diante de crises foi inclusive reconhecida por Russi, que a apontou como uma estratégia bem-sucedida do prefeito.
As Manobras na Câmara Municipal: O Verdadeiro Objeto da Divergência
Max Russi argumenta que o verdadeiro objetivo das acusações de Abilio Brunini era ofuscar suas tentativas de interferir na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá. A pauta que o prefeito estaria buscando desviar, segundo o deputado, dizia respeito à sua ida à Justiça para tentar alterar o regimento interno do Legislativo cuiabano. Essa mudança estratégica visava garantir vantagens nas votações e facilitar a administração do município com menor necessidade de apoio ou fiscalização da Câmara de Vereadores.
As modificações propostas por Brunini no regimento da Câmara Municipal englobaram entre oito e onze itens cruciais, todos com o intuito de conferir maior poder ao Executivo. O movimento, avaliado negativamente por Max Russi, buscaria essencialmente enfraquecer a autonomia do parlamento municipal, permitindo que a prefeitura conduzisse seus projetos sem a necessidade de uma base sólida ou negociação com os vereadores. O presidente da ALMT ainda associou essa manobra à tentativa de reeleição da vereadora Paula Calil (PL), aliada do prefeito, para a presidência da Câmara, o que solidificaria a influência executiva sobre o Legislativo municipal.
O Apelo à Gestão Responsável: "No Final, a Conta Chega"
Em meio às críticas às táticas políticas de desvio de atenção, Max Russi fez um apelo direto ao prefeito de Cuiabá, cobrando foco nas prioridades da administração municipal. O deputado salientou que a população anseia por resultados concretos e entregas de serviços essenciais, tanto nos bairros quanto na região central da capital. Segundo Russi, a energia e os esforços da prefeitura deveriam ser canalizados para atender às demandas da sociedade, em vez de se perderem em disputas retóricas e manobras políticas.
Concluindo sua análise, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso reforçou que, independentemente das narrativas criadas, a gestão municipal será sempre avaliada por sua capacidade de resolver os problemas da cidade. A frase "no final a conta chega", proferida por Russi, ecoa como um lembrete de que as promessas e as responsabilidades de um gestor público culminam na prestação de contas à população, que espera melhorias em sua qualidade de vida, e não meramente em jogos de poder.