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Belo Horizonte Restringe Publicidade de Apostas, Intensificando o Debate sobre o Setor no Brasil

© Wagner Ferreira/Divulgação

Em uma medida que se alinha a movimentos recentes de outras capitais, Belo Horizonte oficializou a proibição de publicidade para plataformas de apostas de quota fixa, popularmente conhecidas como 'bets', em seus espaços públicos. A decisão, publicada no Diário Oficial do Município nesta terça-feira (14), chega apenas um dia após o Rio de Janeiro adotar um decreto semelhante, sinalizando uma tendência de maior controle municipal sobre a veiculação dessas propagandas em áreas de domínio público. Este cenário ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a regulamentação do setor e a proteção do consumidor, que já motivou a intervenção de órgãos federais.

As Restrições Específicas na Capital Mineira

A determinação da capital mineira estabelece uma série de vedações claras para a promoção de plataformas de apostas. A publicidade é terminantemente proibida em qualquer órgão ou entidade vinculada à prefeitura de Belo Horizonte, bem como em eventos que sejam promovidos ou apoiados pelo poder público municipal. A abrangência da medida estende-se a todo o mobiliário urbano, que inclui desde abrigos de ônibus e bancos de praça até lixeiras, relógios públicos, totens informativos e outros equipamentos destinados à prestação de serviços ou atendimento à população.

Adicionalmente, a legislação municipal de Belo Horizonte impõe restrições para a publicidade de bets em espaços privados quando estes estiverem situados em um raio de 100 metros de escolas, museus e outros equipamentos ou serviços públicos que atendam a crianças, adolescentes e jovens. Nestes casos, a proibição se aplica especificamente quando a publicidade for direcionada ou possua o potencial de estimular a prática de apostas por este público mais vulnerável.

O Posicionamento do Setor de Apostas Diante das Medidas Locais

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), entidade que representa as empresas de apostas, manifestou sua intenção de contestar as restrições impostas pelas cidades do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Por meio de nota, a ANJL salientou que, embora respeite a autonomia de estados e municípios, argumenta que qualquer limitação à publicidade deveria ser discutida e definida no âmbito do governo federal, o qual considera o ente competente para disciplinar a matéria em nível nacional.

A associação classificou as decisões municipais como 'ataques infundados', defendendo que o mercado das bets é regulado, contribui com o pagamento de impostos e gera milhares de empregos no país. A ANJL também reiterou sua disponibilidade para colaborar com autoridades federais, o Congresso Nacional e a sociedade civil, visando um 'debate sério, técnico e constitucionalmente fundamentado' acerca da regulamentação da atividade no Brasil.

Novas Regras Federais para Publicidade de Apostas

Paralelamente às iniciativas municipais, o governo federal já havia estabelecido novas diretrizes para a publicidade de apostas de quota fixa. Na última sexta-feira (10), os Ministérios da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública publicaram portarias que detalham as exigências para a veiculação de anúncios, buscando proteger os consumidores e promover o jogo responsável.

Uma das portarias, com vigência a partir desta sexta-feira (17), exige que todos os anúncios exibam advertências obrigatórias, como 'Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência', 'Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro' ou 'Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento'. Essas mensagens deverão ocupar, no mínimo, 10% da área do anúncio, sendo apresentadas de forma clara e legível na horizontal.

Outra portaria proíbe a publicidade que induza o consumidor ao erro, bem como a inclusão de comentários de 'especialistas' ou 'comentaristas' que incentivem apostas em jogos ou eventos específicos. Especial atenção é dada à proteção de menores de 18 anos, sendo considerada abusiva qualquer publicidade a eles direcionada. É vedado o uso de imagens, personagens, linguagem ou elementos que possam atrair esse público, assim como a veiculação de anúncios em locais predominantemente frequentados por menores, como escolas e ambientes de atendimento infantil.

Panorama do Mercado de Apostas no Brasil

O mercado de apostas de quota fixa no Brasil demonstrou um crescimento substancial em seu primeiro ano de regulamentação. Um levantamento divulgado pelo Ministério da Fazenda no início deste ano revelou que o setor movimentou impressionantes R$ 37 bilhões em 2023. Atualmente, 85 empresas estão formalmente autorizadas a operar no mercado regulado pela Secretaria Nacional de Prêmios e Apostas (SNPA).

Contudo, o governo federal estima que uma parcela significativa desse mercado ainda opera na ilegalidade. Projeções indicam que entre 41% e 51% das plataformas de bets atuam sem autorização, afetando diretamente mais de 25 milhões de brasileiros. Esse cenário de vasta atuação irregular adiciona complexidade ao debate sobre a regulamentação e a fiscalização do setor, tanto em nível municipal quanto federal.

Conclusão: O Futuro da Publicidade e Regulamentação das Bets

As recentes proibições de publicidade de apostas em Belo Horizonte e Rio de Janeiro, em conjunto com as novas regras federais, desenham um cenário de crescente escrutínio sobre o setor de bets no Brasil. Enquanto as associações do setor defendem a importância econômica e a legitimidade de suas operações, as autoridades buscam equilibrar a liberdade comercial com a proteção dos consumidores, especialmente os mais vulneráveis. A tensão entre a autonomia municipal, a regulamentação federal e os interesses do mercado de apostas sugere que o debate sobre a publicidade e a operação das bets no país está longe de ser concluído, prometendo mais desenvolvimentos nos próximos meses.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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