O cenário político de Mato Grosso foi palco de uma nova polêmica que une questões de infraestrutura, acusações de corrupção e desdobramentos eleitorais. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) saiu em defesa de seu secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira, após este abandonar uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A justificativa de Pivetta para a saída abrupta do secretário reacendeu antigas acusações de financiamento ilícito de campanhas, ligando a corrupção do VLT à corrida eleitoral de 2012 em Cuiabá e ao atual atraso nas obras do BRT.
A Saída Conturbada da Audiência
A controvérsia teve início na última segunda-feira (13), quando o secretário Marcelo Oliveira se retirou de uma audiência pública que visava esclarecer os crescentes custos e atrasos nas obras do Bus Rapid Transit (BRT) na capital. O encontro, conduzido pelo deputado Lúdio Cabral (PT), investigava por que os contratos do BRT já ultrapassaram a marca de R$ 530 milhões, apesar de trechos ainda não terem sido sequer licitados para execução. Durante a discussão, ao abordar o tema do VLT, Oliveira afirmou que não se sentia bem e pediu para ser substituído por outros servidores da pasta, abandonando a sessão antes do seu término.
A Defesa de Pivetta e a Acusação de Fundo de Campanha
No dia seguinte, o governador Otaviano Pivetta interveio, oferecendo uma nova perspectiva sobre a atitude de seu secretário. Segundo Pivetta, Marcelo Oliveira teria se ausentado por se sentir impedido de externar uma informação que considerava crucial: a suspeita de que a campanha de Lúdio Cabral à prefeitura de Cuiabá em 2012 teria sido financiada com recursos oriundos do esquema de corrupção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Para o governador, essa situação teria provocado um “efeito dominó”, impactando diretamente o andamento das atuais obras do BRT.
Pivetta expressou seu entendimento sobre a frustração do secretário, afirmando: “O que o Marcelo queria dizer é que teve eleição em 2012 e que o candidato do Silval Barbosa possivelmente tenha usado recursos também da corrupção do VLT.” Embora defendendo a intenção do secretário, o governador também ponderou que Oliveira deveria ter cumprido sua obrigação e expressado abertamente suas considerações, representando os anseios de muitos mato-grossenses.
Antigas Suspeitas e o VLT
A menção à corrupção do VLT remete a um dos maiores escândalos políticos de Mato Grosso. À época das investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, surgiram elementos que levantavam suspeitas de que as campanhas de Lúdio Cabral, tanto para a Prefeitura de Cuiabá em 2012 quanto para o Governo do Estado em 2014, teriam sido beneficiadas por recursos desviados desse esquema, supostamente liderado pelo ex-governador Silval Barbosa. É importante frisar que, posteriormente, Lúdio Cabral foi inocentado pela Justiça por falta de provas concretas contra ele, encerrando o processo judicial que apurava tais acusações.
A ironia da situação é que a audiência pública da qual o secretário se retirou era conduzida pelo próprio deputado petista, Lúdio Cabral, conferindo um tom ainda mais carregado à discussão e às justificativas apresentadas pelo governador.
As Questões Pendentes sobre o BRT
Em meio a toda a controvérsia política e as reedições de acusações passadas, um ponto crucial permanece sem resposta: a falta de explicações sobre a demora e o aumento dos custos das obras do BRT. Nem o governador Otaviano Pivetta nem o secretário Marcelo Oliveira forneceram, até o momento, esclarecimentos detalhados sobre os problemas na condução do projeto que mobiliza grande parte dos investimentos em infraestrutura da capital. A audiência, originalmente convocada para abordar essas questões, terminou por desviar-se para o embate político, deixando a população ainda à espera de soluções e transparência sobre o futuro do transporte público em Cuiabá.