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Seca no Centro do Brasil Ameaça 2ª Safra de Milho e Pastagens; Previsões do Inmet Detalham Impactos Climáticos

© Arquivo/Agência Brasil

O Brasil rural se prepara para um trimestre de contrastes climáticos, com a intensificação da seca nas regiões centrais do país, conforme o Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A projeção para Julho, Agosto e Setembro aponta desafios significativos para a segunda safra de milho e a renovação das pastagens, enquanto outras áreas, como o centro e norte da Região Norte, a Região Sul e o litoral do Nordeste, devem manter um regime de chuvas fortes, assegurando expressivos acumulados e boa reserva hídrica nos solos.

Análise Climática e Fenômenos de Influência

A mais recente análise do Inmet aprofunda-se nas condições climáticas nacionais, considerando fenômenos globais como o El Niño – caracterizado pelo aquecimento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico – e as variações de temperatura no Oceano Atlântico. Esses fatores são determinantes para moldar os padrões de precipitação e temperatura, exercendo um impacto direto sobre culturas essenciais como o milho, feijão e algodão, além de influenciar a capacidade de recuperação das pastagens em diversas regiões brasileiras.

Cenário Hídrico e Térmico no País

O mês de junho já havia demonstrado uma distribuição bastante irregular das chuvas. Enquanto áreas como o norte da Região Norte, a faixa litorânea do Nordeste e porções da Região Sul registraram totais mensais acima de 150 mm, mantendo níveis de armazenamento de água no solo superiores a 70% da Capacidade de Água Disponível (CAD) – condições que favorecem culturas em crescimento como o milho de segunda safra e o feijão –, as regiões centrais enfrentaram um panorama preocupante. Grande parte de Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Tocantins, norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior do Nordeste, e sul do Pará e Rondônia observaram acumulados mensais inferiores a 40 mm, resultando em níveis de armazenamento de água no solo que caíram para menos de 15% da CAD. Essa escassez hídrica deve se agravar progressivamente nos próximos meses.

Previsões Regionais Detalhadas

Região Norte

A previsão para a Região Norte indica predominância de precipitação abaixo da média climatológica, com desvios que podem chegar a 100 milímetros a menos em áreas do norte do Amazonas. Simultaneamente, são esperadas temperaturas elevadas, superando a média em até 2°C nos estados do Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins e norte de Rondônia. Embora parte do território tenha tido uma boa distribuição de água anteriormente, essa combinação de fatores eleva o risco de baixa dos rios e aumenta a fragilidade ambiental para ocorrência de incêndios e queimadas.

Região Nordeste

No Nordeste, a temperatura deverá permanecer acima da média histórica em toda a região, com anomalias variando entre 0,5°C e 1,0°C na maioria das áreas. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, onde as temperaturas podem exceder a média climatológica em até 2°C.

Região Sul

A Região Sul apresentou condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras de milho no Paraná, beneficiadas por acumulados expressivos de chuvas. De modo geral, as lavouras de inverno exibem bom desenvolvimento. No entanto, o Inmet alerta que a persistência de chuvas frequentes, somada a uma menor disponibilidade de radiação solar, pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas. Essa situação exige maior atenção dos produtores, principalmente em lavouras em estádios fenológicos mais avançados, onde o impacto sobre a produtividade pode ser significativo.

Consequências para o Agronegócio Nacional

Milho e Sorgo

Para as lavouras de milho de segunda safra e sorgo que se encontram em fase de maturação e colheita entre julho e agosto, os elevados níveis de armazenamento de água no solo em algumas dessas áreas tendem a ser um fator positivo. Essa condição pode favorecer as culturas, contribuindo para a redução da umidade dos grãos, ampliando as janelas operacionais de colheita e auxiliando na preservação da qualidade do produto. Contudo, o cenário é menos otimista para as lavouras tardias de milho e pastagens que se estendem até setembro, especialmente no Tocantins, Amapá e sudeste do Pará, onde o déficit hídrico pode atingir até 130 mm.

Algodão e Pastagens

No Centro-Oeste, a baixa umidade relativa do ar é benéfica para a cultura do algodão em fase de maturação, particularmente em Goiás. No entanto, essa mesma condição climática agrava o risco de perda de produtividade na segunda safra de milho, o que pode impactar os custos de proteína animal no segundo semestre. A degradação das pastagens, especialmente nas áreas com baixos níveis de armazenamento hídrico (inferiores a 15% da CAD), representa um desafio imediato e de médio prazo para a pecuária, afetando diretamente a disponibilidade de alimento para os rebanhos e, consequentemente, a produção.

O cenário agroclimatológico para os próximos meses desenha um quadro de complexidades e desafios para o agronegócio brasileiro. A dualidade entre a seca persistente em regiões centrais e a continuidade de chuvas em outras áreas exige um monitoramento constante e a adoção de estratégias adaptativas por parte dos produtores para mitigar os impactos negativos e otimizar os resultados das culturas e da pecuária em um ambiente climático cada vez mais dinâmico.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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