A Casa Pacheco Leão, situada no histórico Jardim Botânico do Rio de Janeiro, será o palco para a inauguração da exposição "O Tempo das Plantas" neste sábado, 11 de julho de 2026. A mostra, que se estenderá até junho de 2027, convida os visitantes a uma profunda imersão sobre a circulação de espécies, a memória cultural e científica, e os intercâmbios entre diferentes territórios e saberes. Integrada aos eventos do Ano Cultural Brasil-China, a iniciativa busca provocar uma reflexão sobre a aceleração da vida contemporânea, propondo que o público adote uma perspectiva mais atenta, pautada pelos ritmos intrínsecos do reino vegetal.
Uma Jornada Pelos Caminhos do Chá e do Café
A narrativa da exposição desenrola-se tendo como fios condutores duas das bebidas mais consumidas globalmente: o chá e o café. A partir das origens da <i>Camellia sinensis</i> nas montanhas do sul da China e do <i>Coffea arabica</i> nas terras altas da Etiópia, Quênia e Sudão, a mostra traça as complexas conexões históricas que uniram África, Ásia e Brasil. Muito antes de sua ascensão a fenômenos mundiais, essas espécies brotaram de paisagens singulares – de montanhas úmidas a florestas tropicais –, cultivadas por comunidades que, ao longo de gerações, aprenderam a respeitar os ciclos naturais de estações, chuvas e luz. Suas folhas e sementes não apenas atravessaram oceanos, mas também redefiniram economias, moldaram paisagens e influenciaram profundamente os modos de convivência humana ao longo dos séculos.
Arte, Ciência e Memória em Diálogo
Sob a curadoria meticulosa do estúdio UM.BA.RA.KÁ, "O Tempo das Plantas" apresenta um acervo de mais de 200 itens que transcendem disciplinas. A coleção abrange desde obras de arte contemporânea e documentos históricos até ilustrações botânicas detalhadas, objetos científicos, utensílios tradicionais, registros fotográficos impactantes, instalações sensoriais imersivas e conteúdos audiovisuais envolventes. Este percurso expositivo é habilmente concebido para articular arte, ciência e memória, abordando temáticas cruciais como a agricultura ancestral, os grandes movimentos de espécies, as viagens marítimas que marcaram a história, os intensos intercâmbios culturais, as consequências do colonialismo, as dinâmicas das relações comerciais, a vital importância da biodiversidade e as múltiplas formas de conhecimento que a humanidade construiu em sua relação com a natureza.
O Convite à Desaceleração e Novas Perspectivas
A curadora Isabel Seixas ressalta que, em um mundo cada vez mais acelerado, as plantas nos oferecem uma lembrança poderosa de outras maneiras de perceber e interagir com a realidade. Ao imergir nas trajetórias do chá, do café e de outras espécies, a mostra estimula o público a ponderar sobre a transformação mútua entre plantas, pessoas e territórios ao longo do tempo. É um convite a um olhar mais atento para as conexões intrínsecas que unem natureza e cultura, e para a riqueza dos conhecimentos que brotam dessa relação simbiótica. Complementando a experiência expositiva, o projeto oferece uma ampla programação educativa, que inclui visitas mediadas, atividades sensoriais, cerimônias do chá e ações dedicadas à acessibilidade, visando engajar diversos públicos nas discussões propostas.
Com o apoio fundamental do Ministério da Cultura, State Grid, Banco BOCOM BBM e o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, "O Tempo das Plantas" representa mais do que uma simples mostra; é um convite a pausar, observar e reconectar-se com os ritmos essenciais da vida. Para vivenciar essa jornada de descobertas e reflexões, os interessados podem visitar a Casa Pacheco Leão, localizada na Rua Jardim Botânico, 1008, no Rio de Janeiro. A exposição estará aberta ao público de terça a domingo, das 10h às 17h, permanecendo fechada às quartas-feiras, durante todo o período de sua duração.