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Brasil Endurece Regras: Publicidade de Apostas Online Terá Alerta de Risco e Restrições Rígidas

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cenário das apostas esportivas online no Brasil passa por uma transformação significativa com a implementação de novas e rigorosas regras para sua publicidade. Anunciadas nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, as normas visam aprimorar a conscientização sobre os riscos e coibir práticas de marketing consideradas predatórias. As diretrizes, que entrarão em vigor a partir de 17 de julho, prometem mudar radicalmente a forma como as 'bets' se comunicam com o público brasileiro, trazendo advertências compulsórias, severas restrições a estratégias promocionais e um reforço na fiscalização contra operadores ilegais.

Novas Regras para Publicidade Responsável de Apostas

As medidas anunciadas estão detalhadas em duas portarias distintas, elaboradas para garantir um ambiente de apostas mais seguro e transparente. A primeira delas estabelece a obrigatoriedade de mensagens de advertência claras e impactantes em toda publicidade de empresas autorizadas. A segunda, desenvolvida em colaboração com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, impõe restrições substanciais às táticas de marketing utilizadas pelas plataformas, buscando proteger os consumidores de induções enganosas e do desenvolvimento de vícios.

Advertências Compulsórias e a Conscientização do Apostador

Em um paralelo com as campanhas de produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos, a publicidade de apostas esportivas agora exigirá alertas explícitos. O objetivo, segundo o ministro Durigan, é intensificar a conscientização da população sobre os perigos inerentes às apostas. As empresas deverão exibir uma das seguintes mensagens, de forma visível e legível: “Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”; “Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência”; ou “Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento”. Essa iniciativa representa um passo crucial para mitigar os riscos de dependência e perdas financeiras.

Restrições Abrangentes ao Marketing e Conteúdo Publicitário

Além das advertências, a segunda portaria introduz um conjunto robusto de proibições para as campanhas das casas de apostas. Fica vedada a apresentação das apostas como forma de investimento seguro ou de enriquecimento rápido. Também é proibido criar um senso de urgência para estimular apostas impulsivas. Uma das restrições mais notáveis é a proibição do uso de comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar, uma vez que suas opiniões podem ter um 'tom de autoridade' e levar os consumidores ao erro, como enfatizou o ministro Durigan. O governo também impedirá a utilização de 'análises técnicas' como estratégia de convencimento, que podem conferir um falso verniz de respaldo profissional a práticas que, na realidade, ocultam riscos. Adicionalmente, as empresas não poderão divulgar históricos de premiações sem contextualizar as perdas associadas, e a publicidade direcionada a crianças e adolescentes terá tolerância zero.

Tolerância Zero contra Operadores Ilegais e Sanções

A postura governamental também se mantém firme contra as empresas que operam de forma não autorizada no país. Durigan reiterou que a tolerância é zero para 'bets' ilegais, e a proibição de veicular publicidade se estende a veículos de comunicação e plataformas que promovam tais operadores. As consequências para as empresas que desrespeitarem as novas regras são severas. As sanções administrativas incluem multas de até 20% do faturamento da operadora, suspensão das atividades por até 180 dias e, em casos de reincidência grave, a cassação da autorização de funcionamento. Esse conjunto de penalidades visa garantir a conformidade e a seriedade do mercado regulado.

Balanço da Fiscalização e o Caminho da Regulamentação

Desde a regulamentação do setor, o governo tem atuado ativamente na fiscalização. O ministro Durigan apresentou um balanço impressionante, com 56 mil sites de apostas ilegais retirados do ar, cerca de mil perfis de influenciadores derrubados e aproximadamente um milhão de apostadores tendo a autoexclusão determinada por estarem em desacordo com restrições legais (como beneficiários de programas governamentais ou participantes do Desenrola, conforme decisão do STF). As próprias empresas autorizadas têm colaborado com denúncias, fortalecendo a rede de combate à clandestinidade. Essa fase regulatória é o culminar de um processo que começou em 2018 com a autorização legal, avançou em 2023 com a aprovação das regras gerais pelo Congresso, e se solidificou em 2024 com a criação da Secretaria de Prêmios e Apostas, preparando o terreno para a cobrança de outorgas e a plena aplicação das regras operacionais a partir de 2025.

As novas diretrizes para a publicidade de apostas esportivas no Brasil marcam um ponto de virada na relação entre as empresas do setor e seus consumidores. Ao impor maior transparência sobre os riscos e restringir práticas de marketing enganosas, o governo busca não apenas proteger os apostadores de prejuízos financeiros e da dependência, mas também consolidar um mercado mais íntegro e responsável. Com fiscalização rigorosa e penalidades claras, o objetivo é construir um ambiente onde o entretenimento das apostas não comprometa o bem-estar e a segurança dos cidadãos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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